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Felicidade. Produtos “milagrosos” resultam mesmo... mas só durante um tempo

Felicidade. Produtos “milagrosos” resultam mesmo... mas só durante um tempo

Shutterstock Joana Marques Alves 20/03/2017 10:29

Será que todos os produtos que nos são vendidos como “receitas milagrosas” para alcançar a felicidade funcionam mesmo? O i falou com psicólogos e tentou perceber se vale realmente a pena apostar neste tipo de produtos

Pintar os lábios com um batom especial ajuda-nos a encarar os dias maus? Ver vídeos com certos sons faz que com fiquemos mais relaxados? Ler livros de autoajuda incentiva-nos a ser mais otimistas? Existem cada vez mais métodos que (supostamente) ajudam o ser humano a ser mais feliz, mas será que funcionam? No dia em que são anunciados os resultados do World Happiness Report 2017, realizado pela Academia de Desenvolvimento Sustentável das Nações Unidas, o i apresenta-lhe os pontos de vista de dois psicólogos que acham que estes produtos podem, de facto, ter um resultado positivo… mas apenas de uma forma pontual.

A busca da felicidade não é nova: desde a Antiguidade que filósofos e pensadores de várias partes do mundo tentam perceber como alcançar um estado de plenitude, satisfação e equilíbrio (ver páginas seguintes). “Talvez seja mais recente a ideia de querer ser feliz sem aceitar que a perda e os momentos mais duros também fazem parte da vida”, disse ao i Margarida Pedroso Lima, psicóloga e professora na Faculdade de Psicologia e de Ciências da Educação da Universidade de Coimbra.

Esta ideia é corroborada por Tiago Lopes Lino, psicólogo e professor nas escolas superiores de Saúde e de Educação e Ciências Sociais do Instituto Politécnico de Leiria: “A felicidade traz esperança, boa vontade e bem-estar, mas como nunca chegamos a um estado pleno e duradouro, acho que as pessoas tentam acordar todos os dias bem-dispostas, viverem apenas momentos felizes, terem colegas de trabalho fantásticos, etc. E isso não existe.”

Ambos os especialistas dizem que os conceitos vendidos hoje em dia como objetos que contribuem para atingir um estado de felicidade – como os sprays, os livros para pintar e a “comida confortável” – provocam uma sensação de satisfação. “Acabam por funcionar como uma espécie de efeito placebo. Para algumas pessoas basta isso, usar um batom da felicidade e achar que isso fará efeito. Noutras pessoas não resulta, depende de caso para caso”, afirma Tiago Lopes Lino.

Margarida Pedroso Lima defende que este método atua no exterior, mas acaba por ter efeitos na forma como nos sentimos e por funcionar pontualmente. O importante, defende, é ter noção de que não se pode fazer uma busca constante de felicidade e de que é necessário viver os momentos de tristeza. “Quando tentamos apagar as nossas emoções, não eliminamos só as más, também apagamos as boas”, conclui.

A ciência da felicidade

Será que é possível encontrar os fatores científicos que influenciam os nossos níveis de satisfação e de bem-estar? Um estudo da Universidade do Minnesota (EUA), publicado em 1996, sugeria que o facto de sermos felizes ou não estava ligado à nossa composição genética.

No entanto, novas investigações mostram que nem tudo está dependente dos nossos cromossomas: segundo o modelo de felicidade sustentável, criado por Sonja Lyubomirsky, professora no Departamento de Psicologia da Universidade da Califórnia, o nosso bem-estar depende de três fatores: genética (50%), circunstâncias da vida (10%) e ações intencionais (40%). Estas referem-se a pensamentos, comportamentos ou atitudes que, uma vez adotados como um hábito, transformam a forma como olhamos para nós próprios, para a nossa vida e para o mundo que nos rodeia. Sonja Lyubomirsky defende que estas ações passam por nos sentirmos gratos pelas coisas boas que temos ou que nos acontecem, por imaginarmos o nosso futuro de forma otimista, mas realista, e por sermos altruístas, generosos e atenciosos com os outros. Esta ideia também é defendida por Ben-Shahar, professor norte-americano que acredita que comportamentos como a gratidão e o altruísmo podem ser introduzidos como hábitos no nosso chip mental.

Estas são teorias avançadas por vários psicólogos, mas a verdade é que não existe ainda uma certeza em relação à forma de sermos plenamente felizes. Entretanto, os dinamarqueses continuam a defender o hygge (conceito sem tradução que reflete uma espécie de aconchego com consciência e entre amigos), os portugueses procuram algum conforto na saudade e o resto do mundo continua a procurar novas fórmulas para encontrar o caminho da felicidade.

 

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