21/10/17
 
 
José Cabrita Saraiva 20/03/2017
José Cabrita Saraiva
Opiniao

jose.c.saraiva@newsplex.pt

Crónica de uma hecatombe anunciada

Teresa Leal Coelho perde no confronto com os adversários diretos. Como se explica que o PSD apresente um nome mais fraco do que o CDS, que é um partido mais pequeno e tem menos por onde escolher?

Não tenho dúvidas de que Teresa Leal Coelho, a candidata do PSD à Câmara Municipal de Lisboa, seja uma pessoa estimável e com grandes qualidades. Como candidata, porém, corre o sério risco de se revelar uma escolha desastrosa. Desastrosa porquê? Em primeiro lugar, porque perde no confronto direto com os seus principais opositores. Perde obviamente com Fernando Medina, que tem obra feita em Lisboa para mostrar – e não é pouca. E perde com Assunção Cristas, que tem uma presença no espaço público que Leal Coelho não tem e, reconheça-se, outra genica.

Para ter veleidades de se bater com estes “pesos-pesados”, o PSD precisaria de um nome bem conhecido e com trabalho reconhecido. Que pudesse falar para fora do partido e até seduzir eleitores de outras áreas. Não é o caso.

Como se explica que o PSD apresente um nome mais fraco do que o CDS, que é um partido mais pequeno e tem menos por onde escolher? Em parte, continua a verificar-se a célebre máxima de Passos: “Que se lixem as eleições”. Já se percebeu que o líder do PSD não tem apetência para a pequena política e descura aquelas que não considera serem as grandes questões nacionais. Enquanto tinha quem controlasse por ele o aparelho partidário e lhe tratasse disso, não havia problemas. Sem essa figura ao seu lado, as conspirações multiplicam-se e ao nível das autárquicas as coisas correm o risco de descambar.

Também não deixa de ser estranho que o CDS tenha enjeitado o apoio do PSD a Cristas, quando esta seria a sua única chance de sonhar com a autarquia. Será que o CDS quer demarcar-se da PàF ou será que Cristas não quer verdadeiramente ser presidente da Câmara de Lisboa?

Há uma segunda razão pela qual a escolha de Leal Coelho pode ser desastrosa. É que é muito próxima de Passos e, como tal, uma derrota pesada ou mesmo humilhante vai atingir necessariamente quem apostou nela. Outros poderiam demarcar-se. Mas Passos tem uma forma de fazer política que já não se usa e que passa por assumir as suas responsabilidades.

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