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Olympiacos. Um estranho cemitério de treinadores portugueses

Olympiacos. Um estranho cemitério de treinadores portugueses

Shutterstock Afonso De Melo 07/03/2017 14:53

Paulo Bento é a última vítima do presidente Evangelos Marinakis, que já teve no clube do Pireu Leonardo Jardim, Vítor Pereira e Marco Silva

O afastamento de Paulo Bento do cargo de treinador do Olympiakos, o praticamente eterno campeão grego - de 1996 para cá conquistou 18 títulos em 20 possíveis -, não pode surpreender ninguém, tal a facilidade com que o presidente do clube, Evangelos Marinakis, um rico armador do Pireu, se costuma ver livre dos seus técnicos. O antigo seleccionador nacional tinha sido contratado no passado mês de Agosto e não resistiu, agora, a três derrotas seguidas para o campeonato - AEK Atenas, fora, 0-1; Panionios, casa, 0-1; PAOK Salónica, fora, 0-2. Pouco importa a Marinakis se o Olympiakos segue olimpicamente, como é seu timbre, na liderança da classificação. À 23ª jornada, soma 51 pontos, mais sete do que o segundo, o Panionios, e oito do que o terceiro, o PAOK, curiosamente os responsáveis pelos dois últimos infelizes desenlaces.

Paulo Bento foi o quarto treinador português dos campeões gregos nos últimos seis anos. O primeiro foi Leonardo Jardim, que chegou ao Pireu no mês de Junho de 2012. Durou sete meses, envolvido num episódio grotesco, com a imprensa grega a dar voz a rumores que envolviam uma relação entre o treinador madeirense e a mulher do presidente. Recorde-se que também Jardim estava no comando do campeonato à data da sua dispensa, com dez pontos de avanço sobre o segundo a 13 jornadas do fim.

Marinakis, como Luky Luke, despede mais rápido do que a sua própria sombra. Talvez porque tenha medo dela, a sombra.

O segundo português a receber as preferências do curiosíssimo dirigente, foi Vítor Pereira, que entrou em Janeiro de 2015 para substituir o espanhol Michel - este durou muito tempo, quase dois anos, tendo conquistado dois títulos de campeão durante a sua permanência na Grécia. O antigo bi-campeão pelo FC Porto não passou do defeso. Rescindiu por mútuo acordo depois de alguns meses conturbados durante os quais se envolveu em questiúnculas com adeptos de clubes adversários.

A um português sucedeu um português. Vítor Pereira saiu e, um mês mais tarde, entrou Marco Silva, o recordista lusitano de permanência no Olympiakos. De facto, Marco cumpriu uma época completa. Registo extraordinário se pensarmos que o alemão Ewald Lienen, por exemplo, entrou em Junho de 2010 e foi despedido em Agosto, não chegando a aquecer o lugar durante dois meses. O antigo treinador do Sporting foi, aliás, protagonista de outro registo digno de nota alta: em 30 jogos para o campeonato ganhou 28, somando mais um empate e uma derrota. Apesar disso saiu. Foram invocadas razões pessoais, mas a verdade é que tudo no Olympiakos parece ser pessoal e ter como centro dessa guerra de personalidades o tal Evangelos Marinakis. Agora, a sete jornadas do final deste campeonato, outro treinador virá erguer o troféu de campeão que dificilmente lhe escapará. Com o bonus deixado por Paulo Bento da presença nas meias-finais da Taça. O descontentamento do presidente parece não ter limites.

 

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