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Multas aos maiores bancos já chegam aos 304 mil milhões

Multas aos maiores bancos já chegam aos 304 mil milhões

Sofia Martins Santos 03/03/2017 10:13

Analistas preveem que o ano de 2017 deverá ficar marcado pelo aumento do ritmo de coimas aplicadas à banca

Nos últimos anos, os reguladores têm tentado mostrar que têm mão pesada quando o assunto é penalizar os maiores bancos do mundo. De acordo com o Boston Consulting Goup (BCG), desde 2008, as maiores instituições já foram multadas em 304 mil milhões de euros. Penalizações que aconteceram no seguimento de vários casos, nomeadamente de manipulação de mercados.

No entanto, de acordo com a análise feita pela BCG, estes valores vão subir porque os próprios reguladores prometem aumentar o ritmo das multas este ano.

Os analistas defendem que os reguladores americanos têm sido mais agressivos nesta matéria e que o caminho dos reguladores asiáticos e europeus deverá ser seguir esse exemplo.

A verdade é que, contas feitas, só tendo em conta valores referentes ao ano passado, as instituições bancárias tiveram de pagar 42 mil milhões de dólares (cerca de 40 mil milhões de euros) só em multas, o que significa um aumento na ordem dos 68% em comparação com 2015.

Mais, segundo o BCG, estarão entre os custos do setor da banca “as multas e penalizações, assim como as despesas relacionadas com questões legais”.

A verdade é que, desde 2011, o número de regras e regulamentos que os bancos têm de seguir quase triplicou. Por isso, para os analistas citados pela “Bloomberg”, o grande desafio dos bancos atualmente é, acima de tudo, gerir este tipo de custos.

Valores distantes de 2015

Olhando para 2015 é possível ver a trajetória ascendente das multas aplicadas à banca.

A meio desse ano, Barclays, JP Morgan Chase, Royal Bank of Scotland, Citigroup e UBS consideraram-se culpados de manipulação do mercado cambial durante quase cinco anos. A multa? 5,6 mil milhões de dólares ou 5 mil milhões de euros. Era este o valor que cinco dos maiores bancos mundiais teriam de pagar.

A multa mais alta era para o Barclays. As notícias davam conta que o valor seria pago à Financial Conduct Authority do Reino Unido, ao Department of Justice dos Estados Unidos da América, à Federal Reserve, à Commodity Futures Trading Commission e ao New York Department of Financial Services. A instituição bancária acabou mesmo por despedir oito funcionários que tinham estado envolvidos no esquema.

Mas houve mais bancos a darem-se como culpados, principalmente depois de ter sido iniciada uma investigação conjunta dos reguladores da Suíça, dos Estados Unidos e ainda do Reino Unido.

Loretta Lynch, a procuradora responsável pelo caso, chegou mesmo a afirmar que “quase todos os dias”, durante cinco anos, vários traders usaram um chat privado para manipular as taxas cambiais. Mais: ficava ainda claro que as suas ações prejudicaram “inúmeros consumidores, investidores e instituições em todo o mundo”.

O valor das multas aplicadas era, nesta altura, considerado um recorde no sistema financeiro. E já aqui se falava do facto de as autoridades estarem a endurecer o tom contra as instituições bancárias.

Mas os escândalos e as consequências vinham de trás e exemplos não faltam. O escândalo da manipulação das taxas Libor – a taxa interbancária inglesa – rebentou em 2012. Nesta altura, era o Barclays que estava na liderança.

Não muito tempo depois, os reguladores começaram a investigar o UBS, o RBS, o Lloyds Bank e o HSBC. Mais tarde, descobriu-se ainda que o Deutsche Bank também tinha estado envolvido.

 

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