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José Paulo do Carmo 17/02/2017
José Paulo do Carmo

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O Dia dos Namorados

Criou-se uma aversão tal a este dia em determinados meios que por vezes fica difícil perceber tanta revolta e repúdio. No meu entender, as pessoas deviam revoltar-se sobretudo é com as atitudes e com a falta de respeito que muitas vezes vemos nas relações, e não com o dia em si, que não tem culpa nenhuma.

Eu sei que é recorrente vermos pessoas que não ligam à outra o ano inteiro e neste dia, como por obrigação, a levam a jantar fora ou oferecem qualquer coisa como se isso compensasse alguma coisa, e é deprimente ver os restaurantes pejados de casais que mal falam, que passam a refeição a olhar para o lado ou para o telemóvel, cheios de vontade que aquilo acabe, e é triste, de facto, ver pessoas que não respeitam as suas relações encenarem neste dia específico um teatro de boas práticas e bons costumes que não passam de vazias intenções. Chega a ser até humilhante ver a felicidade na cara de um e o ar de frete no outro. Ridículo o ponto a que certas pessoas chegam para manter as aparências.

Mas este dia 14 de fevereiro não devia ser isto, devia ser, aliás, tudo menos isto. Da mesma forma que festejamos outro tipo de dias e que sabemos que se deviam prolongar as boas práticas o ano inteiro, também o mesmo acontece neste dia, o que não quer dizer que não possa ser uma oportunidade para as pessoas acordarem da sua letargia e terem algum tipo de atitude que torne o dia e outra pessoa melhor. Ou, para os mais tímidos, que seja uma boa desculpa para perderem a vergonha e se declararem, ou para as crianças poderem divertir-se a brincar ao “olha os namorados, primos e casados”. O que quer que seja.

Que o amor é piroso e lamechas, já todos sabemos, que toda a gente o renega, que ninguém acredita, que são todos muito fortes e demasiado frios para dar importância a essa coisa dos sentimentos, também já sabemos, mas o que eu também sei é que quando ele toca, quando ele aparece, todos mas todos sem exceção somos diferentes e fazemos coisas que não faríamos normalmente, e fazemos com aquela cara de parvo gira que só fazemos quando estamos apaixonados. E há muitas formas de demonstrarmos o nosso amor sem ser ir jantar fora um dia por ano com um par de rosas na mão e uma pulseira de pechisbeque a dizer “Carla Andreia + Telmo, juntos para todo o sempre”.

Aproveitar os dias para estarmos e darmos atenção especial à pessoa de quem gostamos não fica mal a ninguém. Para mim, que não tenho namorada, passar o Dia dos Namorados com os amigos de quem mais gosto, com os meus pais ou com a minha irmã (importante esta parte da irmã, que ela diz que me esqueço sempre dela nas crónicas ), e todos os outros dias da minha vida, é o cenário perfeito. Agora, se as pessoas se entusiasmam e se motivam para este dia de uma forma especial e se são mais felizes a vivê-lo de uma forma positiva e por bons motivos, qual é o problema? Se todos os dias fossem Dia dos Namorados, não havia tanto espaço para traições. Para pessoas com conteúdo, todos os momentos são bons para viver, todas as razões são boas para comemorar, todos os dias são bons para festejar.

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