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A pessoa "formidável" de Trump recusa o cargo de conselheiro de Segurança Nacional

A pessoa "formidável" de Trump recusa o cargo de conselheiro de Segurança Nacional

Félix Ribeiro 17/02/2017 15:13

Robert Harward diz que quer mais tempo para a família, mas, na realidade, parece não querer fazer parte de um governo controverso. 

O homem que Donald Trump tinha em mente para substituir Michael Flynn no cargo de conselheiro para a Segurança Nacional, Robert Harward, disse na quinta-feira ao presidente norte-americano que não está interessado em ocupar o lugar, justificando-se com o tempo que precisa para a família e negócios. 

“Este trabalho exige concentração 24 horas por dia, sete dias por semana e a dedicação para o fazer corretamente”, disse Harward num comunicado de imprensa. “Neste momento não poss fazer esse compromisso”, argumentou o antigo oficial da marinha, dizendo que, no final de uma carreira de 40 anos como militar, tem finalmente agora “oportunidade para responder a assuntos financeiros e de família que seriam problemáticos para este cargo”. 

Mas Harward parece ter outras razões para recusar o cargo. De acordo com o “Financial Times”, o antigo vice-admiral sente reservas em relação ao estilo de governo de Donald Trump e mostrou desde o primeiro momento “dividido entre o apelo do dever e a evidente disfuncionalidade” da nova administração, segundo afirmou uma fonte próxima do antigo militar ao “Financial Times”, que avançou a notícia na noite de quinta-feira. 

O “New York Times” afirma o mesmo: “Harward teve muitas reservas desde o início em relação a aceitar o cargo por causa do estilo inesperado de Trump e o nível do caos que cobriu a Casa Branca”, escreve o diário nova-iorquino, fazendo referência, por exemplo, ao facto de o novo presidente não ter demitido a número dois de Flynn, o que perturbou Harward.

A recusa de Harward sugere que a disfuncionalidade das primeiras semanas do novo governo americano pode estar já a afetar a sua capacidade de criar pontes com áreas de serviço público, como os tribunais – que Trump insultou por causa da suspensão da sua proibição de viagens –, o exército e os serviços de espionagem – que o presidente vem insultando por estes dias, ameaçando, por exemplo, fazer esforços para identificar quem está a passar informação confidencial a jornais e televisões, o que, na sua opinião, “é o verdadeiro escândalo” no que diz respeito ao seu governo. 

Para Trump, aliás, a saída de cena de Harward parece ser um tiro aos seus planos. Na conferência de imprensa de quinta-feira – que passou atirando-se aos órgãos de comunicação e recusando a ideia de a sua administração estar “um caos” –, o presidente sugeriu que tinha já encontrado alguém “formidável para o posto” de conslheiro, o que, segundo ele, ajudou com a decisão de despedir Michael Flynn. 

Esse alguém, avança o “Financial Times” e “New York Times”, era o próprio Robert Harward, que só fez conhecer a sua decisão na noite de quinta-feira, horas depois da conferência de Trump. Os dois jornais sugerem que altos-responsáveis do novo governo tentaram convencer o antigo vice-admiral a mudar de opinião. Harward não o fez e Trump tem agora duas escolhas prováveis para o cargo. 

Uma delas é polémica e tem o nome de David Petraeus, o antigo general que conseguiu fama com o seu trabalho no Iraque e cujo nome foi sugerido para secretário de Estado, mas que transporta consigo o fardo do escândalo, com uma pena suspensa por ter partilhado material confidencial com a sua amante. Ooutro nome mais provável é o de Keith Kellogg, antigo general e próximo de Michael Flynn. 

 

 

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