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Governo vai fazer “pedagogia” em três urgências do Norte do país

Governo vai fazer “pedagogia” em três urgências do Norte do país

Marta F. Reis 17/02/2017 14:57

Ministro da Saúde revelou esta tarde que o acesso não vai ser limitado: vai ser feita “pedagogia” junto dos doentes

O ministro da Saúde começou esta tarde a desvendar o projeto-piloto que o governo pretende implementar nas urgências hospitalares do Norte do país para reduzir o número de doentes que procuram as instituições sem critérios de emergência médica (os doentes que, na triagem, recebem pulseiras brancas, azuis e verdes).

Depois de ter dado a entender, no início deste mês, que os doentes sem critérios de urgência que chegassem pelo seu próprio pé aos hospitais do Porto e Braga não seriam atendidos, o que motivou uma chamada ao parlamento pelo PSD, Adalberto Campos Fernandes rejeitou esta tarde perante os deputados que os doentes venham a ser impedidos de ser atendidos. “Sempre que um doente chegue nestas situações será atendido e acompanhado para que, numa próxima oportunidade, não se esqueça que tem perto de si um centro de saúde.”

O projeto-piloto vai envolver centros de saúde no Porto, Matosinhos, Gondomar e Barcelos, que, segundo o ministro, vão ser dotados de equipamentos para fazer exames de imagiologia mas também para terem consultas de psicologia e saúde oral – equipamentos que permitam “atrair” as pessoas, sublinha Adalberto Campos Fernandes, que indicou que o projeto será apresentado publicamente em breve. Já as unidades hospitalares onde será feita "pedagogia" junto dos utentes são os Hospitais de Santo António, a Unidade Local de Saúde de Matosinhos e o Hospital de Barcelos.

Campos Fernandes sublinhou que no Norte já existe uma taxa de cobertura de médico de família muito elevada mas, mesmo assim, os portugueses desta região continuam a ir com frequência aos hospitais sem critérios de emergência. O governo pretende “com  muita calma e tranquilidade alterar o modelo” e criar uma nova geração de centros de saúde.

O ministro revelou que, no ano passado, o recurso às urgências dos hospitais do SNS aumentou 3%, quando a tutela pretendia uma diminuição. O projeto-piloto deverá arrancar em abril. Campos Fernandes salientou que Portugal é dos países da OCDE onde se utilizam mais as urgências. "A culpa não é do cidadão. O sistema não foi capaz de fazer a pedagogia da procura e dizer que as respostas em ambulatório são adequadas."

O PSD não ficou satisfeito com as explicações e pediu ao ministro para esclarecer por que motivo disse no início do mês que, nestes hospitais do Norte, “de segunda a sexta-feira, entre as 08h00 e as 20h00, os doentes não poderão ir à urgência a não ser através dos bombeiros, do INEM ou da Linha Saúde 24.” O governo "vai ou não vai" implementar esta medida que "nunca foi desmentida", quis saber o deputado social-democrata Miguel Santos, interrogando se teria havido, mais uma vez, um “erro de perceção” - numa alusão à polémica dos sms entre Centeno e Domingues que abriu uma guerra entre esquerda e direita. “Não podemos cair na política das ratoeiras e dos truques”, respondeu Adalberto Campos Fernandes, acusando o PDS de alarmar a população e garantindo que não haverá qualquer restrição do acesso, ao mesmo tempo que classificou as afirmações da oposição de "disparatadas". O ministro disse que as afirmações que proferiu no início do mês são o objetivo, a longo prazo, de qualquer sistema de saúde "desenvolvido". O erro de perceção ficou ainda assim, também neste capítulo da vida política, mais uma vez por explicar.  

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