23/3/17
 
 
Vítor Rainho 16/02/2017
Vítor Rainho

vitor.rainho@newsplex.pt

Mário Centeno não está sozinho no filme da CGD

Gosta de fazer o seu trabalho, mas esquece-se que a política não é uma área onde os “inocentes” se safem.

A telenovela da Caixa Geral de Depósitos ganhou proporções cujo desfecho poderá fazer correr algum sangue, já que é óbvio que o primeiro-ministro sabia de tudo o que o seu ministro combinou com António Domingues, o homem que iria tratar dos problemas do banco público, mas que impunha não revelar a declaração de património e rendimentos.

A partir deste dado, como poderá o governo aceitar a demissão de Mário Centeno sem arrastar António Costa? Não me parece que tal venha a ser possível e a geringonça tudo fará para travar mais revelações de sms e afins. Se a história fosse ao contrário, com o PSD à frente do executivo, há muito que o PS, o PCP e o BE teriam exigido a cabeça do ministro. Uma história que em si não é tão importante para a vida do país, desde que se entenda que a verdade não tem qualquer importância. Mário Centeno, já se percebeu, não é político, mas sim um gestor. Gosta de fazer o seu trabalho, mas esquece-se que a política não é uma área onde os “inocentes” se safem.

Ao defender que não tinha dado garantias a António Domingues de que não teria de apresentar a célebre declaração de rendimentos, Centeno enfiou-se na toca do lobo. Se estava à espera que António Costa o fosse salvar, bem pode tirar daí a ideia, e, no fundo, não restará outra alternativa a Centeno que não seja dar a sua cabeça para salvar a do primeiro-ministro e o seu governo. Com tantas revelações da troca de correspondência entre Centeno e Domingues e com a posição assumida pelo Presidente da República – que ficou à espera da confirmação da combinação entre Centeno e Domingues –, o que restará ao simpático ministro das Finanças?

P. S. O banco público continua a ser o argumento de um filme triste que prejudica o país a cada dia que passa. Não se percebe, pois, como algumas almas conseguem defender a nacionalização do Novo Banco, sabendo-se a eficácia que os sucessivos governos têm para gerir bancos... Não será preferível deixar isso para os banqueiros e responsabilizá-los por eventuais más gestões? 

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