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Violência no Brasil leva ministro da Defesa a interromper visita oficial

Violência no Brasil leva ministro da Defesa a interromper visita oficial

AFP Ana Petronilho 10/02/2017 08:46

Polícia civil deu 14 dias para que se descongelem os salários e se paguem subsídios. Se não houver acordo, juntam-se à polícia militar na greve

O ministro da Defesa do Brasil, Raul Jungmann, interrompeu ontem a visita oficial a Portugal para regressar com urgência ao Brasil, por causa da onda de violência no Estado do Espírito Santo.

O governante estava no Porto para participar num encontro de indústrias militares, “Diálogo entre indústrias de defesa”, numa visita oficial que iria terminar amanhã. Foi, assim, cancelada a visita à empresa Embraer, em Évora. 
Mas, ontem, com o aumento da violência e dos saques e com a polícia civil a ameaçar juntar-se à greve da polícia militar, que já dura há seis dias, o governante decidiu antecipar o seu regresso ao Rio de Janeiro. 

Desde sábado que as ruas estão a ser patrulhadas por 650 militares do Exército e todos os serviços de saúde e escolas estão fechados. Segundo a Folha de S. Paulo, ontem o número de mortos ultrapassava os 100 e foi enviado um reforço de 1200 militares para aquela zona. Foram ainda enviados carros blindados e grupos de elite com fuzileiros e paraquedistas, deslocados dois generais e feita uma transferência da coordenação da segurança das forças locais para as Forças Armadas.

Horas antes da decisão de Raul Jungmann, o sindicato dos polícias civis do Espírito Santo fez um ultimato de 14 dias ao governo para que fossem aceites propostas do sindicato. “Por respeito à sociedade capixaba que está amargando essa situação de violência, vamos dar esse prazo”, disse ontem à Folha de São Paulo, o presidente do sindicato, Jorge Emílio.     

Em causa está a atualização salarial das forças de segurança (congelada há três anos) e o pagamento de dois subsídios: um de risco e outro de trabalho noturno. Caso não cheguem a acordo com o governo dentro de 14 dias os polícias civis vão juntar-se à greve dos polícias militares. 

Também ontem os transportes foram paralisados depois de terem assassinado o presidente do Sindicato dos Rodoviários de Guarapari, Wallace Barão. 

Apesar deste cenário, no Porto,  Raul Jungmann, diz acreditar que a “normalidade” regressará ao Estado de Espírito Santo “nas próximas horas” senão “nos próximos dias”. O governante garantiu ainda que “há uma disposição do Presidente Michel Temer de colocarmos à disposição do Espírito Santo tudo aquilo que for necessário para que a normalidade se restabeleça naquele Estado”.

Questionado sobre o regresso, o ministro disse que “a situação no Brasil cobra a nossa presença lá. Sinto-me melhor estando mais próximo para acompanhar os acontecimentos no meu país”.

Os assassinatos na capital do estado, Vitória, começaram sábado quando amigos e familiares dos agentes da polícia militar bloquearam os quartéis para exigir melhores salários. Desta forma, impediram o patrulhamento das ruas.
Segundo a lei, a polícia militar brasileira patrulha as cidades do país e está proibida por lei de fazer greve.

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