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João Sena 07/02/2017
João Sena
Cronista

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Mundo novo

Abre-se um mundo novo na Fórmula 1. CEO com ideias disruptivas é sinal que a disciplina máxima do desporto automóvel está viva.

A Liberty Media entra neste desporto para ganhar dinheiro, mas também com o objetivo de criar mais e melhores espetáculos. Olhando para o percurso profissional de Chase Carey – foi chairman da 21st Century Fox e responsável pelo lançamento dos canais Fox Sports e Fox News –, não me parece que seja tarefa difícil.

Nos últimos cinco anos, a Fórmula 1 perdeu velocidade e interesse, muito por culpa de uma mentalidade retrógrada e de regulamentos restritivos que tornaram as corridas um bocejo. Nesse período, as audiências de televisão baixaram 30 por cento, para 400 milhões de telespetadores por época.

A conversa é sempre a mesma. A Fórmula 1 já não é a mesma coisa, as corridas são uma chatice, ganham sempre os mesmos, os pilotos não têm carisma; por isso, já não há lutas como antigamente, os carros são fáceis de conduzir e nem fazem barulho. Os nostálgicos da época de ouro de Senna, Prost, Lauda e Piquet têm alguma razão nas críticas que fazem. Porém, as corridas de hoje não são mais chatas do que eram quando Michael Schumacher e a Ferrari venceram cinco mundiais consecutivos ou quando Sebastian Vettel e a Red Bull venceram quatro títulos de enfiada.

A Fórmula 1 perdeu identidade há muito tempo. Os pilotos que ganhavam corridas no braço deram lugar a pilotos Playstation, programados para vencer… desde que tenham o melhor carro. Exemplos de campeões formados nos simuladores é coisa que não falta. Cabe agora aos novos proprietários mudar este paradigma e criar condições para voltar a haver corridas disputadas, lutas roda com roda e ultrapassagens de arrepiar. Ideias não faltam, e acredito que a Fórmula 1 pode voltar a ser o expoente máximo do desporto automóvel. Senão, morre de vez.

 


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