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Dívida pública aumentou quase dez mil milhões de euros em 2016

Dívida pública aumentou quase dez mil milhões de euros em 2016

Ana Antunes Magalhães Afonso 02/02/2017 07:31

Banco de Portugal revela que valor ultrapassou 241 mil mihões de euros, o que equivale a quase 130% do PIB

A dívida pública portuguesa aumentou 9,5 mil milhões de euros em 2016, atingindo os 241,1 mil milhões de euros. Com estes números, o peso da dívida estará perto dos 130% do produto interno bruto (PIB), um aumento em relação aos 129% de 2015.

De acordo com dados do Banco de Portugal (BdP) divulgados ontem, para o aumento da dívida “contribuíram as emissões líquidas de títulos” no valor de 11,2 mil milhões de euros, com destaque para as “emissões de obrigações do Tesouro de rendimento variável”. O banco central informa ainda que houve um “aumento das emissões de certificados do Tesouro”.

O BdP revela também que “os empréstimos diminuíram 5,6 mil milhões de euros, para o que contribuiu o reembolso antecipado de aproximadamente 4,5 mil milhões de euros de empréstimos concedidos pelo Fundo Monetário Internacional no âmbito do Programa de Assistência Económica e Financeira”, ou programa da troika.

De acordo com a instituição liderada por Carlos Costa, o “aumento da dívida pública em 2016 foi superior às necessidades de financiamento das administrações públicas, o que permitiu uma acumulação de depósitos de cerca de 4,0 mil milhões de euros”.

Assim, o aumento da dívida pública líquida – que não tem os depósitos – “foi de aproximadamente 5,5 mil milhões de euros em 2016, totalizando 223,8 mil milhões de euros no final do ano”, um valor equivalente a perto de 121% do PIB em 2016.

No fim de semana, o “Expresso” noticiou que, em 2016, os bancos portugueses compraram 14,2 mil milhões de euros, o valor mais elevado desde 2000.

Em 2015, o montante tinha sido 11,2 mil milhões de euros e o valor mais alto anterior foi registado em 2010: 13,6 mil milhões de euros.

Embora o valor do PIB de 2016 ainda esteja por fechar, de acordo com a proposta de Orçamento do Estado será de pouco mais de 185 mil milhões de euros, o que significa 129,7% do PIB.

Mas, por exemplo, o Conselho de Finanças Públicas ou a Comissão Europeia, tal como o FMI ou a OCDE, preveem que o valor da dívida pública esteja mais perto ou acima dos 130%.

Compromisso

Portugal tem um compromisso de redução da dívida até 60% nos próximos 20 anos e atingiu o valor mais alto em setembro – 244,3 mil milhões de euros –, descendo nos meses seguintes.

De acordo com o Eurostat, no final do terceiro trimestre do ano passado, a dívida de Portugal estava nos 133,4% do PIB e tinha crescido 2,9% por comparação com o mesmo período de 2015.

O gabinete de estatísticas aponta, assim, o facto de a dívida pública portuguesa ser a segunda maior da União Europeia, e também da zona euro, depois da Grécia (176,9%) e antes da Itália (132,7%).

O rácio da dívida pública da zona euro foi, no terceiro trimestre, de 90,1% do PIB, um recuo face aos 91,2% registados no trimestre anterior e aos 91,5% do período homólogo de 2015.

No conjunto dos 28 Estados-membros da UE, a dívida pública foi de 83% do PIB, abaixo dos 85,9% homólogos e dos 84,2% do trimestre anterior.

Segundo o gabinete oficial de estatísticas da UE, face ao terceiro trimestre de 2015, 11 Estados-membros viram a sua dívida pública aumentar em função do PIB, com as maiores subidas a ocorrerem na Grécia (4,4% para os 176,9% do PIB), na Lituânia (3,1% para os 41,3% do PIB) e em Portugal (2,9% para os 133,4% do PIB).

As baixas mais significativas registaram-se na Irlanda (-8,5 pontos para os 77,1% do PIB), Holanda (-4,3 pontos para os 61,9% do PIB) e Hungria (-3,2 pontos para os 74,3% do PIB).

Juros

A questão da dívida pública é estrutural na economia portuguesa e o comportamento dos juros aos quais Portugal se financia está sempre sob apertada vigilância.

Durante quase todo o mês de janeiro, a taxa das obrigações portuguesas a dez anos negociou sempre acima dos 4%.

Sendo um valor que causa ansiedade no mercado, vários analistas consideram que só a partir dos 5% há razão para preocupação. Mas outros entendem que Portugal está em risco de um maior fardo com juros no caso da subida moderada das taxas motivada, por exemplo, pelo aumento da inflação na zona euro que leve o Banco Central Europeu a retirar antes do prazo o seu programa de estímulos com compra de ativos.

Neste momento, a taxa é próxima da verificada há dez anos, o que poderá levar “a um retorno da dívida portuguesa a níveis da era da crise” que começou em 2008.

 

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