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GES. Credores esperam e desesperam por milhões

GES. Credores esperam e desesperam por milhões

Diana Tinoco Sónia Peres Pinto 25/01/2017 08:07

A Herdade da Comporta e a Companhia Brasileira de Agropecuária são alguns dos ativos que podem ser vendidos, mas cujas receitas são alvo de arresto pelos tribunais

As receitas da venda da Herdade da Comporta vão ser alvo de arresto para que o valor a receber fique em Portugal. O dinheiro da venda do fundo de investimento vai ser “depositado numa conta bloqueada pelas autoridades portuguesas”, revela o relatório dos curadores de insolvência da sociedade Rioforte. Aliás, este é um critério obrigatório para avançar com a alienação da herdade do Grupo Espírito Santo (GES).

O fundo de investimento da Herdade da Comporta gere os projetos turísticos e imobiliários e era controlado pela Rioforte, pertencente ao GES. A venda destes ativos é uma das formas de obtenção de receitas pelos curadores de insolvência, de forma a conseguirem arrecadar algum valor para os seus credores. É o caso, por exemplo, da Pharol e do BES “mau”.

A verdade é que o processo de venda da herdade tem sofrido vários avanços e recuos. A sua alienação recomeçou em setembro. Depois de uma tentativa falhada, os tribunais acabaram por autorizar o processo de venda, contornando assim a razão que anteriormente travou a operação: o arresto dos bens da família.

Na altura, os norte-americanos Asher Edelman e David Storper, da gestora de private equity Armory Merchant, mostraram--se interessados na aquisição desta propriedade. O negócio envolvia perto de 300 milhões de euros, mais 100 milhões para investimento: 100 milhões de euros por duas unidades da Comporta mobilizavam mais 200 milhões para assumir a dívida das mesmas e outros 100 milhões para relançar a atividade da empresa agrícola e do fundo que gere o projeto turístico.

Ao que o i apurou, uma sociedade de mediação imobiliária, terá  avaliado a herdade em 420 milhões de euros. Mas independentemente do valor do negócio, será preciso descontar as dívidas do fundo e da própria herdade, que rondam os 130 milhões de euros.

Também vai ser realizado o arresto das receitas das vendas das ações da Herdade da Comporta – Atividades Agrossilvícolas e Turísticas, que gere os arrozais, venda essa que está a ser preparada, assim como a da ES Property (ESP), cuja alienação continua “suspensa” pelos tribunais portugueses.

Ao contrário da Rioforte, a ESP não entrou em insolvência, tendo aderido ao Programa Especial de Revitalização (PER) para ficar a salvo dos credores, após o incumprimento no reembolso do papel comercial e de um empréstimo do BCP.

O processo de venda da ESP teve início em outubro de 2015 e foi assessorado pela PwC. Foram convidados a participar cerca de 60 investidores nacionais e internacionais, sobretudo da área imobiliária, bem como vários fundos de private equity. O perímetro da venda incluía, além da ESP e as suas subsidiárias, dois fundos de investimento detidos pela Rioforte: Fimes i e Fimes ii. Das 60 entidades sondadas, seis apresentaram propostas não vinculativas e apenas duas passaram à fase final, a Global Reach Investments e o fundo Cerebrus. Mas o processo acabou ser suspenso.

Outros bens a alienar

Também à venda está a Companhia Brasileira de Agropecuária – Cobrape. Este é outro dos ativos do GES e a sua venda chegou a ser suspensa no ano passado. No entanto, com o relatório dos curadores de insolvência da Rioforte, Espírito Santo International e Espírito Santo Control foi possível retomar o processo de alienação, mas nos mesmos moldes que a Herdade da Comporta. Ou seja, as receitas vão também ser arrestadas de forma a regressarem às autoridades portuguesas.

A Cobrape conta com 20 mil hectares utilizados para a produção de arroz e soja e para a criação de gado bovino.

Também a Paraguay Agricultural Corporation, detida maioritariamente pela Rioforte, está na lista dos ativos a vender. A propriedade tem 130 mil hectares e as suas principais atividades são a pecuária, agricultura e floresta.

Negócios do ges já vendidos

Tranquilidade 

Chegou a ser apelidada de “a joia da coroa” do GES. A seguradora foi vendida ao fundo norte-americano Apollo Global Management. A empresa foi avaliada em 200 milhões mas, como a Apollo não assumiu a dívida da Tranquilidade, o encaixe para o Novo Banco foi de apenas 50 milhões. Ainda assim, a avaliação da seguradora ficou aquém dos valores avançados pelo Banco de Portugal e que apontavam para os 700 milhões de euros. 

BESI 

O Banco Espírito Santo Investimento (BESI) foi um dos ativos que passou para o Novo Banco aquando da resolução do BES. O negócio foi vendido na totalidade ao grupo Haitong por 379 milhões de euros e passou a designar-se como Haitong Bank. José Maria Ricciardi assumiu a presidência até ao início de dezembro de 2016. A gestão do banco foi assegurada pela comissão executiva sob a responsabilidade do presidente do Haitong, Hiroki Miyazato. 

ESSaúde 

O Hospital da Luz era o principal rosto dos ativos da Espírito Santo Saúde, mas era uma das 18 unidades hospitalares detidas pelo grupo. A marca chegou ao fim com o processo de venda à Fidelidade e passou a chamar-se Luz Saúde. A seguradora detida pelo grupo chinês Fosun comprou 96% da empresa em resultado da oferta pública de aquisição (OPA) que lançou à dona do Hospital da Luz, mas entretanto já reforçou a sua posição e detém 98,7%. 

ESViagens 

A Espírito Santo Viagens, que incluía a agência de viagens Top Atlântico, entre outros ativos, foi vendida ao fundo de capital suíço Springwater, que tinha como objetivo reforçar os seus investimentos no setor do turismo, sem nunca ter revelado qual o montante envolvido. Para que o negócio visse à luz do dia foi necessária a aprovação do Tribunal de Comércio do Luxemburgo, onde a Rioforte apresentou um pedido de sujeição ao regime de gestão controlada. 

Tivoli 

A cadeia de hotéis da marca Tivoli foi vendida por 82,5 milhões de euros ao grupo tailandês Minor, que assumiu também o passivo corrente, que ascendia a 69 milhões. A venda desta atividade já tinha sido decidida em finais de 2014, ainda antes do colapso do GES, e, em janeiro de 2014, o grupo Minor já tinha sido escolhido como tendo a melhor proposta para ficar com as 14 unidades hoteleiras. O processo arrastou-se desde o colapso do GES e só foi concretizado no início de 2016.

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