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Brasil. Pelo menos dez mortos em nova rebelião prisional
Revoltosos controlaram parte da prisão durante 14 horas

Brasil. Pelo menos dez mortos em nova rebelião prisional

Revoltosos controlaram parte da prisão durante 14 horas AFP António Saraiva Lima 15/01/2017 14:26

Maior prisão do Rio Grande do Norte foi palco de nova batalha entre gangues

A guerra entre organizações criminosas continua a fazer mortos nas prisões brasileiras e os primeiros dias do novo ano sugerem que a onda de motins está para durar. Depois de Manaus (1 de janeiro) e Boa Vista (6 de janeiro), uma nova rebelião teve lugar em Nísia Floresta, perto de Natal, na Penitenciária Estadual de Alcaçuz – a maior do estado brasileiro de Rio Grande do Norte – e no Pavilhão Rogério Coutinho Madruga, uma prisão de alta segurança, anexa à penitenciária.

Os guardas prisionais perderam o controlo do complexo na tarde de sábado e, só após a intervenção da polícia militar, com veículos blindados e o apoio de um helicóptero, na madrugada deste domingo, foi possível pôr fim aos confrontos.

Dez mortes foram imediatamente confirmadas pelas autoridades, assim que foi retomado o controlo do estabelecimento prisional, já que os corpos das vítimas estavam espalhados pelo pátio principal. Mas o número deverá ascender a várias dezenas, tendo em conta os relatos que se ouvem entre os familiares dos detidos, que se juntaram à porta da prisão.

À semelhança do que aconteceu nos motins dos primeiros dias do ano – e também nos de outubro, em prisões nos estados de Roraima e Rondónia – ali foram igualmente decapitados vários detidos. E também ali foram filmadas e difundidas pela internet imagens das decapitações e da barbárie.

As parecenças entre este motim e os anteriores são, aliás, demasiado óbvias e não se ficam apenas pelo modo macabro comos os assassinatos ocorreram. Em todos eles contam-se, pelo menos, três pontos em comum: um complexo prisional sobrelotado – segundo a Secretaria de Estado da Justiça e de Defesa ao Consumir (Sejuc), a Penitenciária Estadual de Alcaçuz albergava 1150 prisioneiros, num espaço com capacidade máxima para 620 pessoas –; a presença significativa de presos com ligações a gangues e ao narcotráfico; e uma deficiência preocupante de condições básicas de segurança e controlo nas infraestruturas da prisão. Se a isto se agregar um estado de guerra, declarado e permanente, desde julho de 2016, ordenado pelas chefias das organizações criminosas, desde São Paulo e do Rio de Janeiro, as prisões do Brasil têm tudo para continuar a ser, durante 2017, o palco predileto para rebeliões e ajustes de contas.

De acordo com a imprensa brasileira, o motim em Nísia Floresta envolveu membros do Primeiro Comando da Capital (PCC) e do Sindicato do Crime do RN, ambos ligados ao narcotráfico. O primeiro, de São Paulo, é um dos principais gangues brasileiros, que opera a nível nacional, e o segundo é um outro grupo criminoso que atua no estado do Rio Grande do Norte e, particularmente, na região de Natal. 

Refere o “Estadão” que as duas fações estão separadas, naquele complexo, mas um grupo de prisioneiros do Pavilhão Rogério Coutinho Madruga terá iniciado a revolta após o horário de visitas, no sábado à tarde, e obrigado os restantes detidos naquele complexo de segurança máxima a invadir um dos pavilhões da penitenciária. Fugiram então das celas, saltaram o muro e atacaram os guardas. Lograda a invasão, pegaram fogo a colchões e, com pedras, facas e algumas armas de fogo, procederam, então, à perseguição e homicídio dos seus rivais.

Retomado o controlo da Penitenciária Estadual de Alcaçuz, as autoridades estão agora atentas a eventuais retaliações que possam vir ter lugar noutras prisões do Brasil. 

 

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