23/7/19
 
 
Vítor Rainho 13/01/2017
Vítor Rainho

vitor.rainho@newsplex.pt

Portugal em vias de ser nacionalizado

Por vezes, mais importante do que uma decisão em si mesma, é o sinal que transmite.

Olhando para o que se passou nos últimos anos na banca portuguesa percebemos que há muito poucas figuras sentadas no banco dos réus. É inadmissível que tenhamos chegado onde chegámos e que praticamente apenas Ricardo Salgado e Oliveira e Costa tenham estado presos.

Das duas uma: ou os bancos foram dirigidos por incompetentes abaixo de qualquer qualificação ou pactuaram com jogadas muito pouco claras, fossem de negócios ruinosos ou de governantes sem escrúpulos. Ainda há dias me contavam uma história verdadeiramente hilariante de um terreno que teria sido comprado pelo BPN por uma loucura de dinheiro e vendido posteriormente para o banco nacional por um preço 50 vezes superior. No consulado de Sócrates passaram-se, de facto, muitas coisas surreais, mas nem todos os males se podem assacar ao primeiro-ministro que achou que podia ser o Dono Disto Tudo.

Independentemente do passado, parece-me óbvio que se estão a preparar para cometer novos erros que serão fatais para o país: nacionalizar o Novo Banco é voltar ao PREC ou aos tempos de Sócrates e Armando Varae nem com António Horta Osório, o mais qualificado banqueiro português, poderíamos entrar por esse campeonato. Mais um banco público significa mais clientela partidária e o país não pode aguentar mais um desastre. Dizermos que a venda será pior que a nacionalização é não querer olhar para o que se passou com o BPN e com a Caixa Geral de Depósitos. O Estado não pode querer competir com os privados, mas deve, sim, criar mecanismos que penalizem todos aqueles que contribuam para a desgraça financeira do país. Na Islândia, por exemplo, vários banqueiros foram presos e o primeiro-ministro livrou-se das grades por muito pouco.


Por vezes, mais importante do que uma decisão em si mesma, é o sinal que transmite. E este governo tem revelado um gosto preocupante pelo regresso ao passado. Ou será que os empresários são tão medíocres que a geringonça terá de tomar conta de tudo: transportes públicos, banca, agriculturae tudo o mais. E cantaremos todosa Internacional...

 

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