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BCP. BCE dá luz verde ao reembolso antecipado de 700 milhões ao Estado

BCP. BCE dá luz verde ao reembolso antecipado de 700 milhões ao Estado

Diana Tinoco Sónia Peres Pinto 11/01/2017 10:53

O banco prepara-se para avançar com um aumento de capital no valor de 1,3 mil milhões numa operação que arranca a 19 de janeiro

O BCP já recebeu luz verde por parte do Banco Central Europeu (BCE) para devolver os 700 milhões de euros que ainda deve ao Estado de CoCos — obrigações convertíveis, já que no final do ano passado tinha amortizado 50 milhões de euros da ajuda estatal concedida em 2012. Esta devolução será possível com o aumento de capital de 1,3 mil milhões de euros aprovado, esta segunda-feira, pelo conselho de administração. Esta autorização do BCE revela que Mario Draghi estará confortável com os rácios da instituição financeira após esta operação.

O aumento de capital vai permitir que o banco não só salde a dívida que tem com o Estado como também reforce os rácios de capital para valores na ordem dos 11%, acima do exigido pelo BCE.

Títulos em queda livre

As ações da instituição financeira reagiram em forte queda durante a sessão de ontem, depois de o banco liderado por Nuno Amado ter anunciado a emissão de novos títulos. As ações fecharam a sessão a cair 11,34% para os 0,9231 euros, o valor mais baixo de sempre, mas chegaram a derrapar mais de 16%.

“A queda dos títulos do BCP é uma reação natural ao anúncio de aumento de capital, sendo provável a continuidade da tendência em baixa neste contexto atual de elevada incerteza”, revelou ao i o gestor da XTB José Correia, acrescentando ainda que “a possibilidade de valorizações pós-aumento é consideravelmente inferior ao cenário- -base de continuação de desvalorizações, pelo que negociar este ativo se apresenta como uma alternativa arriscada”.

A operação prevê a emissão de 13 830 milhões de ações, a um preço de 0,094 euros, ou seja, 9,4 cêntimos, revelou o banco em comunicado à Comissão do Mercado de Valores Mobiliários (CMVM). Após a operação, o BCP valerá 2283 milhões de euros, o que significa que o preço teórico do banco após o destaque dos direitos de subscrição é de 0,1546 euros. É sobre este valor que o preço das novas ações representa um desconto de 38,6%, salientou o banco.

Reforçar negócio na China

A operação de aumento de capital está garantida pela Fosun – que já é o maior acionista do banco liderado por Nuno Amado –, que se comprometeu a subscrever 31% do aumento de capital, e por um consórcio de bancos internacionais composto pelo JP Morgan, Goldman Sachs, Bank of America Merrill Lynch, Crédit Suisse e Mediobanca.

O grupo chinês prepara-se para investir um máximo de 531 milhões de euros nesta operação e já veio explicar os motivos deste reforço de capital. A Fosun quer ajudar o BCP a reforçar o negócio na China, bem como melhorar a rentabilidade do banco. Ao mesmo tempo, a instituição liderada por Nuno Amado vai servir como plataforma para a Fosun expandir o negócio na Europa e em África.

 

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