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Duarte Lima. Neste filme o homem sem braço é uma loira mistério que não existe

Duarte Lima. Neste filme o homem sem braço é uma loira mistério que não existe

Carlos Diogo Santos 02/01/2017 14:02

Oantigo político português anda há alguns anos a tentar provar a inocência.No Brasil foi acusado e pronunciado pelo homicídio da sua cliente. A única ‘fuga’ que pode ter agora é a de ser julgado no Rio.

O dr. Duarte Lima é um advogado português a quem durante anos nunca ninguém conheceu um único cliente. Alguns anos da sua vida foram dedicados à política, tendo chegado a líder da bancada parlamentar do Partido Social Democrata. O rapaz pobre de outrora, nascido em Miranda do Douro, vê-se anos mais tarde envolvido no homicídio da única cliente que tinha conseguido na vida.

Está traçado o guião desta história ao estilo de “O Fugitivo”. Em 2016, o caso dá uma reviravolta quando o dr. Duarte Lima está prestes a ser julgado no Brasil – país onde terá cometido o crime. O Ministério Público Federal propõe o envio do processo para Portugal. 

Nos últimos anos o antigo deputado tentou provar a todo o custo que não foi ele o autor do crime. Se no filme há o  relato de ter sido um homem de um só braço o responsável pela morte da vítima, Duarte Lima diz que foi uma mulher loira, de nome Gisele, a última a ter estado com Rosalina Ribeiro. Mas o ‘dr. Duarte Lima’ não segue o exemplo de ‘dr. Richard Kimble’, interpretado por Harrison Ford: os esforços do advogado português para encontrar a mulher mistério são mínimos. Durante a investigação, a única coisa que o advogado fez foi enviar um desenho a lápis da mulher – que além de loira tem óculos de aros escuros – com quem afirma ter deixado Rosalina Ribeiro. À polícia, sempre que foi questionado, disse não ser um bom fisionomista para dar mais do que um desenho. Nem sequer arriscou ajudar num retrato robô.

Agora, em vésperas da transferência do julgamento, o Dr. Lima sente a ‘corda na garganta’ e tenta a todo o custo que o caso não saia do Brasil, para onde sabe que não poderá ser extraditado. Essa tem sido aliás a sua grande fuga. 
Mas o ímpeto de trazer o caso para a justiça portuguesa parece ser grande e o Dr. Duarte Lima parece ter cada vez menos hipóteses de ser julgado no Brasil - país que diz ser corrupto , mas onde, segundo ele, a Justiça lhe é mais favorável. 

Ao contrário do Dr. Richard Kimble, todas as hipóteses apresentadas pelo Dr. Duarte Lima foram investigadas e por isso só muito dificilmente a mulher loira apareceria no futuro, qual homem sem braço, para salvar o advogado do julgamento. Nesta trama que se desenrola entre Lisboa e o Rio de Janeiro (com passagens por Brasília), a herança deixada pelo milionário Lúcio Tomé Feteira – com quem Rosalina terá mantido um relacionamento de anos – perpassa todos os protagonistas, aparecendo o Dr. Lima como um dos beneficiários abusivos de milhões que nunca lhe pertenceram. Ele, por seu turno, garante que os milhões  foram para pagar os seus honorários, ainda que à data das transferências ainda não tivesse tido qualquer trabalho. 

A fuga Possível Para as autoridades brasileiras não há dúvidas de que o português quis calar para sempre a mulher, por esta conhecer o esquema e ameaçar entregá-lo. 

Numa primeira fase, o Dr. Duarte Lima tentou imputar tudo a uma outra suspeita, Olímpia Feteira – a filha do milionário de Vieira de Leiria –, que odiava a vítima. Mas bastou uma viagem de Olímpia ao Rio de Janeiro para desfazer todas as dúvidas da Polícia Civil. A cabeça de casal da herança provou que seria a última pessoa a querer ver Rosalina morta e lembrou que, caso a mulher não tivesse morrido, a vítima teria de se explicar à Justiça portuguesa, mal chegasse, sobre o destino que tinha dado aos milhões da sua família. Destino esse que agora se sabe ter sido a conta do homem que tratava como advogado, mas seria na verdade apenas conselheiro jurídico.  

Se ainda assim dúvidas restassem, o carro que o Dr. Duarte Lima alugou foi multado em excesso de velocidade na estrada que liga o Rio de Janeiro a Saquarema, localidade onde o corpo foi encontrado. E nos dois sentidos. É aí que entra uma das teses principais da defesa, dizendo que o carro nunca se aproximou do fim da estrada, uma vez que a meio (já depois do radar) fez uma curva à direita para a pequena cidade de Maricá, onde a vítima quis ficar com a mulher mistério. A verdade é que quando o carro é apanhado pelo segundo radar, já no regresso, tinha passado o tempo suficiente para ir e vir do local do crime. Uma hora era muito tempo para uma mera incursão a Maricá. As contradições da defesa são muitas, segundo a investigação.

A acusação brasileira diz que o Dr. Duarte Lima dificilmente conseguirá fugir dos factos, mas será que conseguirá o advogado fugir da transferência do processo para Portugal? Essa é agora a sua grande luta.   

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