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João Sena 02/01/2017
João Sena
Cronista

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Dakar? Qual Dakar?!

O Dakar começa hoje na América do Sul. Para quem acompanha a prova desde o seu início, em 1979, continua a não fazer sentido manter o nome original, quando há um oceano e mais de 6000 quilómetros a separar as duas realidades. Dá vontade de rir ouvir falar de Dakar, quando se atravessa a Cordilheira dos Andes.

A principal razão para a Amaury Sport Organisation (ASO) teimar nesta aberração é simples: a marca Dakar vale largos milhões de euros. Convém lembrar que a ASO não é apenas uma organização desportiva, responsável também pelo Tour de France e Torneio de França de Golfe, é igualmente uma empresa multimédia, proprietária dos jornais L’Équipe e Le Parisien, e isso faz toda a diferença quando estamos perante o segundo evento de desporto motorizado mais mediático do Mundo, logo a seguir à Fórmula 1.

Curiosamente, após oito edições na América do Sul, a imagem do Dakar começa a dar sinais de desgaste. São muitas as vozes que se levantam contra os danos ambientais e a insegurança causada pela caravana. Países como o Chile e Peru já saltaram fora.

O Dakar já não é o mítico rali africano, mas continua a ser uma prova única, uma aventura excepcional ao longo de duas semanas, que cruza três países (Paraguai, Bolívia e Argentina), mobiliza 22000 polícias e tem uma mega organização, com mais de 500 elementos.

Continua a ser a prova que todos querem disputar, talvez à procura da visão “dakariana” de que falava o seu criador, Thierry Sabine, mesmo sabendo que o regresso a África é uma utopia.

 


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