14/12/19
 
 
Vítor Rainho 06/12/2016
Vítor Rainho

vitor.rainho@newsplex.pt

Marcelo e Mendes juntos contra Passos Coelho

Marcelo Rebelo de Sousa é um personagem fascinante que consegue cativar até quem nunca ouviu falar dele. Tem um sorriso contagiante, fala como poucos, é incisivo e consegue vender sonhos de afetos aos molhos. Acontece que o atual Presidente da República já foi líder do PSD, precisamente o partido que agora mais ataca, direta ou indiretamente.

Por outro lado, não deixa de elogiar a geringonça, fazendo de Portugal um país sui generis em que um Presidente de direita aprova um governo de esquerda e critica a oposição da sua família partidária. Nos últimos dias, a troca de galhardetes públicos entre Passos Coelho e Marcelo Rebelo de Sousa tem tido o picante de ambos se desfazerem depois em elogios carregados de veneno, mas que o comum dos mortais entende como comoventes. Os dois nunca morreram de amores um pelo outro, o que se tem agravado nos últimos tempos.

O PSD é, de facto, um partido muito diferente de todos os outros, pois não há mais nenhum onde os vários intervenientes se ataquem sem limites. Se nos lembrarmos de Marcelo, Marques Mendes, Pacheco Pereira, Morais Sarmento, Manuela Ferreira Leite e Rui Rio, entre tantos outros, percebemos que nenhum partido goza de tanta liberdade de ação como o PSD.

Passos Coelho não precisa de inimigos nos outros partidos, já que os tem em número suficiente no interior do seu. Marques Mendes, por exemplo, ao domingo tem tempo de antena para desfazer Passos sem piedade. Se quer ou não voltar a ser líder do PSD, não faço ideia, mas que não quer lá Passos Coelho é evidente.

O governo de Costa bem pode receber avisos de Bruxelas a dizer que a geringonça (leia-se “o país”) não vai ter um final feliz; o PCP bem pode defender a saída do euro; o BE bem pode querer a renegociação da dívida – nada disso interessa para os gurus do PSD. O que interessa, acima de tudo, é correr com o homem que chegou ao governo para tirar o país da bancarrota... Se fossem os seus adversários a fazerem as críticas, percebia-se perfeitamente. Mas Passos leva mais pancada em casa do que fora.

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