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João Sena 29/11/2016
João Sena
Cronista

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Sem saudades do Mundial

O Mundial de Fórmula 1 terminou no Yas Marina, em Abu Dhabi, o mais espectacular e mais caro circuito da actualidade, que é também um centro de diversão “after hours”. Os carros de Fórmula 1 são “apenas” mais um detalhe num mundo de luxo e excentricidade, própria dos Emiratos Árabes Unidos.

Foi num cenário digno das grandes produções de Hollywood, que Nico Rosberg obteve o seu primeiro título mundial, com nove vitórias. Não foi o piloto que ganhou mais corridas, mas foi aquele que cometeu menos erros ao longo da temporada.

O campeonato foi uma conversa, por vezes dura, entre Nico Rosberg e Lewis Hamilton. Na última corrida, o inglês jogou forte e feio, baixando, de forma premeditada, o andamento no final para permitir aos outros pilotos ultrapassar o colega de equipa, e assim impedi-lo de ganhar o campeonato.

Aliás, este foi mais um episódio protagonizado por um menino mimado, que passou a época a fazer queixinhas e a alimentar guerras de alecrim e manjerona contra a sua equipa.

Contas fechadas, o Mundial de 2016 não deixou saudades. O falhanço das novas regras FIA, a falta de competitividade entre equipas e pilotos inexpressivos em pista e pouco sociáveis fora dela, foram o espelho de uma época que, sendo a mais longa da história da Fórmula 1 (21 Grandes Prémios), teve pouco interesse.

A Fórmula 1 está chata e monótona. Não consegue agarrar os actuais fãs, e é incapaz de seduzir público novo. É a imagem do todo-poderoso Bernie Ecclestone, e vice-versa, ou seja, é cinzenta, conservadora e não tem imaginação. Os pilotos perderam carisma por culpa da FIA, que penaliza quem arrisca uma manobra mais ousada. Que saudade das corridas decididas no braço por pilotos da raça de Ayrton Senna, Nigel Mansell, Nelson Piquet e Niki Lauda, entre tantos outros campeões.

As pessoas querem carros mais rápidos, agressivos e mais exigentes em termos de condução, que obriguem os pilotos a mostrar o seu virtuosismo, ou seja, tudo aquilo que não existe na Fórmula 1 actual. Em 2017, vai haver uma revolução técnica, será que vai a tempo de salvar a disciplina máxima do desporto automóvel?

 


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