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João Sena 23/11/2016
João Sena
Cronista

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Curto circuito

Desde que foi eleito presidente da FIA, Jean Todt tem centrado a sua atenção na defesa do meio ambiente. 

A introdução de novas tecnologias e de motorizações amigas do ambiente antecipa o futuro e representa um desafio para os construtores. A Fórmula E tem inegáveis virtudes; é uma competição ecológica, tem uma filosofia diferente e destina-se a um novo público.

Os progressos registados na competição automóvel devem servir para melhorar a vida em sociedade. O pior é que nesta procura desenfreada por soluções inovadoras há cenários que assustam, como a possibilidade de a componente humana deixar de existir no desporto automóvel.

Na Web Summit, que se realizou em Lisboa, o atual piloto da Audi Lucas di Grassi admitiu que a inteligência artificial pode, num futuro próximo, dispensar a presença do piloto. Perante a estupefação geral, foi mais longe ao afirmar que a Audi está a desenvolver um carro de competição autónomo, e a primeira corrida poderá ter lugar dentro de dois ou três anos. Sabemos que, à data, a inteligência artificial é mais lenta do que um piloto humano mas, segundo especialistas, essa margem está a estreitar-se rapidamente.

A tecnologia pode otimizar as performances puras, mas perdem-se referências como Senna, Lauda, Prost, Villeneuve e Schumacher, que um dia nos fizeram sonhar e querer ser piloto de automóveis. É assustador pensar que, no futuro, as pessoas poderão desligar-se do ato da condução e que os carros de competição autónomos serão uma moda, mandando para o desemprego pilotos profissionais que ganham corridas no braço, com muita coragem e mestria. Tornar o desporto automóvel mais verde é uma coisa; reinventar tudo e fazer com que o mundo virtual suplante a performance humana parece-me uma aberração.

 


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