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Jerónimo de Sousa. “Temos a consciência de que o caminho se vai estreitando”

Jerónimo de Sousa. “Temos a consciência de que o caminho se vai estreitando”

Diana Tinoco Luís Claro 18/11/2016 07:59

A duas semanas do XX congresso do PCP, que se realiza nos dias 2, 3 e 4 de dezembro, em Almada, Jerónimo de Sousa recebeu o i na sede nacional do PCP e falou da noite eleitoral que abriu a porta a uma solução inédita na democracia portuguesa e do futuro do acordo com os socialistas. 

O secretário-geral dos comunistas defende que existe uma “contradição” entre a política de reposição de rendimentos e as imposições de Bruxelas, e deixa um aviso: “Se chegar a ser uma contradição insanável, naturalmente que temos aqui um problema.” Vai fazer 70 anos e garante que continua com “força anímica” para liderar o PCP. 

O que mudou no PCP para que este entendimento à esquerda, que não foi possível durante 40 anos, tenha acontecido agora?

O que mudou foi a realidade. O elemento fundamental foi uma nova relação de forças que foi determinante para afastar o governo PSD/CDS e encontrar uma nova solução política. O primeiro objetivo que tínhamos era derrotar o PSD e o CDS, tendo em conta as suas graves responsabilidades na situação que se vivia no país, com uma política desastrosa que infernizou a vida dos portugueses. Os portugueses lutaram muito durante esses quatro anos e aliaram a sua luta ao seu voto, que se traduziu nessa nova realidade. 

Teve a noção, na noite eleitoral, de que era possível esta solução?

Não tínhamos feito cálculos nem contactos...

Não tinham existido contactos com o PS?

Não, nunca houve contactos anteriores além dos contactos normais no relacionamento normal que existe com o PS, mas sempre no plano formal e institucional, e nunca no plano de qualquer solução política nova.

Existe a ideia de que esta solução só foi possível porque o líder do PS é António Costa. É verdade?

Não, nunca esteve no nosso pensamento essa questão. Nós tivemos também relações com António José Seguro, que era secretário-geral do PS, depois passámos a ter com António Costa, mas objetivamente foi esta nova realidade, esta nova composição que determinou o nosso posicionamento.

Não se arrepende todos os dias?

Não, porque nós tivemos aqui um papel importantíssimo, mas com uma grande consciência de que o PS manteria o seu programa, com a consciência de que manteríamos as diferenças em relação a questões estruturantes. Claramente, a questão do afastamento do PSD do governo permitia dar respostas urgentes no plano social, tendo em conta a situação em que se encontravam muitos portugueses. E, por isso mesmo, a posição conjunta do PS/PCP, além da questão política do governo, colocou a questão da necessidade objetiva de avançar com medidas positivas que contrariassem esse rumo de uma política de terra queimada. Eu falo nesses quatro anos, mas temos a consciência da responsabilidade de governos anteriores, incluindo do Partido Socialista.

Leia a entrevista completa na edição em papel do i.

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