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BE não vai a Cuba com Marcelo. Tem mais que fazer

BE não vai a Cuba com Marcelo. Tem mais que fazer

Miguel Silva Ana Sá Lopes 25/10/2016 16:08

Bloco não vai a Havana. Razões: há reunião de deputados e BE não costuma fazer visitas de Estado

Marcelo começa esta quarta-feira a sua visita a Havana, durante a qual poderá eventualmente encontrar-se com o histórico “comandante” Fidel Castro, agora retirado da vida política. 

Como é habitual nestas visitas de Estado, todos os partidos indicaram um representante para acompanhar o Presidente da República. Todos menos um. O Bloco de Esquerda recusou o convite de Marcelo para participar na visita oficial a Cuba. Motivo avançado por fonte oficial do partido: o Bloco reúne os seus deputados em jornadas parlamentar na sexta e sábado, em Bragança e Vila Real, e considerou mais importante a participação de todos os seus parlamentares numa reunião onde se vai debater o Orçamento do Estado do que ir a Cuba integrar a delegação de Marcelo. 

Não se trata aqui, afirma o Bloco de Esquerda, de uma tomada de posição política semelhante à que o partido fez quando recusou participar na visita oficial a Angola, cujo regime é ativamente combatido pelo Bloco. Apesar da forma crítica como o partido vê o regime cubano – que sempre foi considerado modelo pelo Partido Comunista –, fonte oficial garante que não é isso que está em causa. E lembra que o Bloco de Esquerda não comparece em todas as visitas de Estado organizadas pelo Presidente da República. 

A delegação da Assembleia da República que acompanha Marcelo a Cuba integra o líder parlamentar do PSD, Luís Montenegro, a deputada socialista Idália Serrão, o parlamentar centrista Hélder Amaral, o histórico deputado e vice-presidente da Assembleia da República António Filipe, do PCP, e José Luís Ferreira, deputado do partido “Os Verdes”. 

Marcelo inicia a sua visita oficial ao país de Fidel logo às nove da manhã de Cuba, com um passeio pelo centro histórico de Havana. Segue-se uma visita ao colégio católico Padre Usera, o primeiro centro religioso a abrir em Havana depois da revolução cubana. Antes do almoço, o Presidente da República inaugura a Biblioteca Eça de Queirós e estará presente, depois, no almoço de encerramento do Fórum Empresarial Portugal-Cuba. 

Às 17h30, Marcelo homenageia Cuba, com uma cerimónia de deposição de coroa de flores no monumento nacional dedicado a José Martí, escritor e herói da independência do país, na Praça da Revolução. Segue--se um encontro com o chefe de Estado cubano – que tem o nome de presidente do Conselho de Estado e Conselho de Ministros –, Raúl Castro.
Depois, Raúl Castro oferece um jantar oficial ao Presidente português no Palácio da Revolução. No dia seguinte, quinta--feira, Marcelo começa por uma visita ao Centro de Neurociência de Cuba, depois faz uma conferência na Universidade de Havana sobre “Portugal e a América Latina”; de seguida, recebe a comunidade lusófona de Havana e visita uma exposição de filigrana portuguesa na fábrica de arte cubana. 

No jornal digital do BE, o Esquerda.net, está justificado que “o grupo parlamentar do Bloco de Esquerda não participa nesta visita de Estado, decisão tomada em linha com a prática histórica do partido, que sempre limitou muito a sua participação em visitas de Estado. Com três presidentes da República – Jorge Sampaio, Cavaco Silva e Marcelo Rebelo de Sousa –, o Bloco limitou a sua participação a visitas a países com fortes comunidades portuguesas ou de língua portuguesa, com muito poucas exceções”.

A justificação não é política, apesar de o Bloco de Esquerda ser muito crítico do regime cubano. Quando recusou a visita de Estado a Angola, o Bloco de Esquerda fez questão de proclamar alto e bom som as suas divergências com o regime.

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