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Paula Freitas 25/10/2016
Paula Freitas
Cronista

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Obesidade e diabetes – é urgente mudar de hábitos

A obesidade e a diabetes mellitus tipo 2 são doenças potencialmente preveníveis cujas consequências tardias podem ser evitadas se precocemente procurar ajuda médica

A obesidade e a diabetes mellitus tipo 2 são epidemias gémeas cuja prevalência tem aumentado de forma paralela e que constituem um grave problema de saúde em Portugal e no mundo. Dados do Relatório Anual do Observatório Nacional de Diabetes de 2015 mostram que a prevalência de diabetes em Portugal foi de 13,1%, verificando-se um aumento relativamente a 2009. De realçar ainda que, na faixa etária dos 20 aos 79 anos, 3,1 milhões de portugueses têm pré-diabetes e mais de 50% da população portuguesa apresenta obesidade ou pré-obesidade. Na faixa etária dos 18 aos 64 anos, em 2012, a prevalência de obesidade era de 19,9%.

A patofisiologia e muitos fatores de risco são comuns à obesidade e à diabetes mellitus. Ambas são doenças heterogéneas e poligénicas, com forte associação entre fatores do ambiente e genéticos na sua etiologia. Os fatores de risco para diabetes mellitus tipo 2 incluem idade, genética, diabetes gestacional prévia, história familiar, etnicidade, fatores nutricionais e sedentarismo. Relativamente à obesidade, várias teorias foram invocadas para explicar o seu aumento ao longo das décadas, desde alterações no microbioma intestinal, disruptores endócrinos no ambiente e na cadeia alimentar, polimorfismos genéticos, etc. No entanto, os grandes promotores da obesidade e, consequentemente, da diabetes na sociedade atual são o estilo de vida moderno associado a um aumento do consumo e diminuição do dispêndio energético. A disponibilidade alimentar é uma constante, e as tecnologias no trabalho, na diversão e na ocupação de tempos livres estão associadas ao sedentarismo.

Um aspeto de crucial importância é que a obesidade não é um problema estético, mas uma doença. A pessoa com pré-obesidade ou obesidade tem de compreender que se trata de uma patologia crónica, complexa e multifatorial. Qualquer intervenção a curto prazo não terá impacto a longo prazo e está votada ao insucesso, ou seja, ao reganho ponderal se a sua estratégia não passar antes do mais pela modificação permanente do estilo de vida. É de primordial importância consultar o médico, nomeadamente o endocrinologista, para que se possam excluir causas de obesidade potencialmente tratáveis. É verdade que cerca de 90 a 95% da etiologia da obesidade está relacionada com sedentarismo, inatividade física e má prática alimentar, mas é de notar que cerca de 5 a 10% das causas de obesidade são doenças endócrinas tratáveis e, menos frequentemente, causas genéticas. As consequências da obesidade são variadas e multissistémicas: insulinorresistência, diabetes, dislipidemia aterogénica, hipertensão arterial, insuficiência cardíaca, inflamação vascular, apneia obstrutiva do sono, doenças gastrointestinais e hepáticas (esteatose hepática, cirrose), síndrome do ovário poliquístico, infertilidade, artroses, insuficiência vascular, depressão, morte cardiovascular e vários cancros como da mama, endométrio e próstata. Uma das consequências da obesidade é o desenvolvimento da diabetes mellitus tipo 2. Contudo, se o doente perder peso, pode curar a sua diabetes, já que, pelo menos em estádios iniciais, é uma situação reversível mediante medidas adequadas. Pequenas perdas de peso, na ordem dos 3 a 5%, podem concorrer para a melhoria do controlo da diabetes, a redução do número de antidiabéticos orais, a diminuição das doses de insulina ou até mesmo a suspensão da insulinoterapia.

Todavia, uma vez instalada a diabetes é necessário tomar medidas para que as complicações crónicas que lhe estão associadas não se estabeleçam. Quando a diabetes é diagnosticada precocemente e o tratamento é efetuado de forma correta, obtendo-se um bom controlo glicémico desde a fase inicial da doença, estas complicações podem nunca ocorrer ou apenas tardiamente no decurso da doença. À semelhança da obesidade, o tratamento global da diabetes mellitus tipo 2 assenta em pilares fundamentais de modificação do estilo de vida, como a adoção de uma alimentação saudável, a prática regular do exercício físico e a cessação tabágica, componente essencial da prevenção de complicações e de redução do risco cardiovascular.

Em suma, a obesidade e a diabetes mellitus tipo 2 são doenças potencialmente preveníveis cujas consequências tardias podem ser evitadas se precocemente procurar ajuda médica e quiser modificar o seu estilo de vida. Pense nisto!

 

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