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Mário Bacelar Begonha 19/10/2016
Mário Bacelar Begonha

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De miliciano a general de proveta na GNR

Este Ministério da Administração Interna não tem condições para liderar política e administrativamente a GNR

A GNR sofre, há muito tempo, uma grande indefinição que já vem do tempo da ditadura, ou seja, os seus membros têm funções de polícia mas são militares, e por isso, desde os anos 90 (91) que os seus oficiais recebem formação militar, na Academia Militar, ramo GNR, e como tal se assumem, isto é, militares de corpo e alma e com grande prestígio.

No tempo da outra senhora, e hoje, estavam e estão catalogados como o quarto ramo das Forças Armadas. Mas, curiosamente, até ao posto de sargento, todos querem ser civis; só os oficiais, como é óbvio, querem continuar a ser militares, isto depois de inquéritos internos, mais ou menos semioficiais, quase clandestinos…

Com a Polícia Marítima temos também um problema complicado para resolver, já que a Armada, através da sua chefia, viola a lei em vigor, e sem aparente solução, porque não abdica da sua chefia.

Voltando à GNR, os alunos da Academia Militar que optavam pela GNR nos primeiros anos eram, de facto, os melhores entre os melhores. Mas este ramo militar é tutelado pelo Ministério da Administração Interna (MAI), uma estrutura 100% civil, e por vezes, com certas pessoas, torna-se complicado explicar que não se pode promover a general alguém que não é oriundo da Academia Militar e que não possui, entre outros requisitos, um mestrado em Ciências Militares.

Este Ministério da Administração Interna não tem condições para liderar política e administrativamente a GNR, já que se trata de uma força militar com um estatuto diferente de uma polícia e com características específicas por parte dos seus oficiais. É preciso possuir uma formação específica para entender isto, ou então ser capaz de um grande exercício de empatia, coisa que o atual Ministério da Administração Interna já deu, publicamente, provas de que esse não é o seu forte, além de alguma deselegância, para não dizer de arrogância, no trato com um general do Exército português, por acaso pessoa de grande nível e de grande lealdade, que foi desconsiderado na praça pública pela ministra em exercício.

É que, em democracia, um ministro é apenas, e tão-só, um servidor do povo, não é o dono do povo, ou disto tudo…! Não é, não! Faz uma certa impressão pensar que o MAI julga igual um curso da Academia Militar de cinco anos, com diploma académico de estudos superiores, a um outro de um ano, em Águeda, seguido de um ano de “estágio”, sem qualquer equivalência académica até ao presente.

E mais: o MAI, ao pensar que todos os oficiais da GNR são iguais, esqueceu- -se de dizer que uns são de primeira e outros de segunda, e esta é uma evidência. Mesmo que, para disfarçar, alguns elementos tenham feito uma licenciatura em Filosofia, ou Geografia, ou História, ou até um mestrado, não estão nem nunca estarão em condições idênticas aos oficiais da Academia Militar, ramo GNR, nunca! E quem o afirma esteve lá 40 anos, 20 dos quais como professor regente de duas cadeiras de motricidade, do currículo académico da Academia Militar, em que os elementos da GNR eram dos melhores e mais interessados.

Sobre isto, até é melhor nem falar, já que a atual ministra da Administração Interna, enquanto professora da Academia de Polícia, propôs a extinção de todas as cadeiras teóricas e práticas da disciplina de Motricidade Humana, alegando que “não faziam falta e que não serviam para nada”. É evidente que qualquer cidadão, mesmo com uma inteligência média, não consegue entender tal proposta que, obviamente, foi rejeitada por unanimidade pelo conselho pedagógico. Curiosamente, a dita professora era da área do direito… mas nem contactou previamente, sequer, o diretor do departamento de Motricidade, seu colega, que estava presente na reunião… Arrogância ou ignorância? Talvez as duas.

 

Sociólogo, Escreve quinzenalmente

 


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