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Turismo. Setor continua a atingir recordes atrás de recordes

Turismo. Setor continua a atingir recordes atrás de recordes

DR Sónia Peres Pinto 16/09/2016 21:09

Portugal nunca recebeu tantos turistas como este ano e isso também contribuiu para um aumento das receitas na hotelaria. O ano de 2016 já está a entrar na história como o melhor de sempre no setor. Hotéis aplaudem sucesso

 

Portugal nunca recebeu tantos turistas como este ano. E os números falam por si: só nos primeiros sete meses de 2016 recebemos mais de 10,6 milhões de turistas nas cidades portuguesas, de acordo com os últimos dados do Instituto Nacional de Estatística (INE). Já o mês de junho foi o melhor desde que há dados, ao atingir os 1,89 milhões de turistas. 

Estes números recorde também se verificam nas dormidas, tendo sido registadas 29,6 milhões até julho, mais 10,9% do que no ano passado. 

De acordo com os dados do Trivago Hotel Price Index, a hotelaria portuguesa ocupa uma posição semelhante quando comparada com a de outros países europeus, com o setor a crescer 3,64% em setembro face ao período homólogo. Desta forma, fica abaixo da Irlanda, Dinamarca, Chipre, Grécia, Alemanha e Suécia. O preço médio por quarto duplo custa agora 114 euros, mais quatro do que em setembro de 2015. Portugal encontra-se, por isso, à frente de países como Espanha, Itália, França e Reino Unido no que ao crescimento da hotelaria diz respeito. 

Este crescimento foi praticamente comum em quase todas as zonas do país, mas ganhou um maior relevo no Algarve, que alcançou este verão o melhor ano de sempre em termos turísticos. A ocupação atingiu praticamente os 100% e a região foi invadida tanto por turistas portugueses como por estrangeiros. Sol, verão e praia são cada vez mais sinónimos deste destino. Apesar do sucesso, o presidente da associação dos hotéis do Algarve (AHETA) lembra que a região ainda está a caminho da recuperação das receitas e que a grande maioria das empresas continuam a apresentar capital próprio negativo.

Este aumento da procura está ligado, aponta o responsável, “a um desvio de fluxos turísticos de destinos concorrentes na bacia do Mediterrâneo e no Magrebe”, a que se juntou a epidemia de zika, que também “trouxe mais turistas para esta região”, acrescenta.

O mercado de cruzeiros não ficou alheio a esta tendência e o porto de Lisboa atingiu níveis recorde em julho. Com 24 navios a passar pelas suas docas, a cidade conseguiu um aumento de 60% em relação ao período homólogo. Em termos de passageiros também se verificou uma subida, ainda que menor (13,7%). No total, foram mais de 45 mil passageiros a desembarcar em Lisboa, a maioria em trânsito. Em turnaround (início ou fim da viagem na cidade), que é o segmento com mais potencial de receita, foram 4639.

Feitas as contas, no acumulado dos primeiros sete meses - período durante o qual passaram 153 navios pela cidade -, a variação positiva é de 2%, impulsionada pelos resultados de julho.

Trabalho a fazer Embora os dados sejam animadores, o governo não quer baixar os braços perante o sucesso deste setor. Garante que ainda há muito a fazer e que poderá dar um maior fôlego a toda a atividade. Ainda assim, a secretária de Estado do Turismo já admitiu ao i que estes dados dão alguma tranquilidade. “Deixam-nos bastante confiantes, no sentido em que Portugal conseguiu afirmar-se como um país de destino turístico quer europeu quer mundial, resultado daquilo que tem sido feito ao longo dos últimos dez anos”, refere Ana Godinho, acrescentando ainda que “tivemos, de facto, uma evolução muito significativa da qualificação de Portugal enquanto destino turístico, não só ao nível do espaço público como também em termos de hotéis, de inovação dos produtos turísticos, de animação e de empreendedorismo de atividades que têm surgido. É isto que nos tem permitido afirmar Portugal enquanto país inovador, autêntico, mas também um país que surpreende as pessoas de forma positiva”.

Uma das prioridades do executivo passa por promover o emprego e a qualificação da mão-de-obra. A governante associa estas fragilidades à debilidade e à asfixia financeira que as empresas tiveram ao longo dos anos e também à necessidade de aumentar a rentabilidade das empresas e do valor da oferta - um entrave que só agora começa a ser ultrapassado. “A nossa estratégia ao nível dos recursos humanos é, claramente, a qualificação das pessoas e uma grande aposta na formação, tentando cada vez mais uma aproximação entre aquilo de que o mercado está a precisar e aquilo que as escolas estão a formar. Tem de haver aqui uma grande aproximação para que as pessoas que estão a ser formadas sejam úteis ao mercado, e que o mercado também reconheça a qualificação dessas pessoas”, esclarece Ana Godinho.

A verdade é que também aqui os dados são positivos. Os antigos alunos das escolas do Turismo de Portugal registam uma taxa de empregabilidade de 87%, revelam os dados da instituição. O curso com maior empregabilidade é o de Culinary Arts, dedicado à cozinha e culinária, com todos os alunos a conseguirem emprego. Entre os empregados, mais de 89% encontram-se a desenvolver atividade no setor do turismo. A maioria ficou colocada no mercado de trabalho em menos de três meses.

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