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O desmaio que mudou a vida de Arianna Huffington

O desmaio que mudou a vida de Arianna Huffington

Cláudia Sobral 31/08/2016 19:53

E que vai levantar uma onda que poderá mudar muito mais. A fundadora do site que revolucionou a forma de fazer jornalismo anunciou uma mudança de rumo de que ninguém estava à espera, mas que afinal faz todo o sentido. Desde aquele dia em 2007.

"Achei que o HuffPost seria o meu último ato. Mas decidi deixar a direção para me aventurar num projeto meu.” O anúncio de Arianna Hunfington, a mulher que uma vez foi descrita como “a maior exportação da Grécia depois de Ícaro”, surgiu de forma completamente inesperada. O projeto que a fundadora do site que há dez anos veio revolucionar o jornalismo online, com boa parte do seu conteúdo gerado por uma comunidade de jornalistas-cidadãos e bloguers, é uma start-up chamada Thrive Global, descrita como uma “plataforma para o bem-estar das empresas e dos consumidores e de produtividade”, que Huffington julga mais que necessária nos tempos que correm e justificou dizendo que “a mudança é desesperadamente necessária se queremos evitar o burnout - que nos dias que correm tanto vem atrás do sucesso - de mais uma geração”.

Recuemos a 2007. O verdadeiro ponto de viragem na vida da fundadora do Huffington Post foi aí, no dia em que desmaiou de exaustão e fraturou o osso zigomático, incidente que a obrigou a parar para pensar e a levou a uma reflexão em busca de um estilo de vida mais equilibrado entre trabalho e bem-estar. Desde então que uma das suas grandes campanhas é por mais horas de sono para todos - com o famoso slogan “sleep your way to the top” - e em abril passado, publicou um livro (mais um) sobre isso mesmo: “The Sleep Revolution”, tudo passos que abriam caminho para o lançamento deste seu novo projeto.

O plano inicial não era contudo este, Huffington não queria deixar o projeto editorial que fundou e onde, sublinhou, continuavam a ser “infinitas” as possibilidades. “A jornada dos últimos 11 anos  excedeu as minhas expetativas mais loucas”, afirmou. “Quando decidi criar o Thrive Global, achei que seria possível construir uma start-up e continuar como diretora do Huffington Post. Hoje, é claro que isso era uma ilusão. À medida que o Thrive Global foi passando de uma ideia a realidade, com investidores, trabalhadores e escritórios, tornou-se claro para mim que não podia simplesmente fazer justiça às duas empresas.”

Huffington nasceu Stassinopoulos em Atenas, em 1950. Aos 16 anos, mudou-se para o Reino Unido, para estudar Economia em Cambridge, onde se tornou a primeira mulher a chegar à presidência da Cambridge Union. Na década de 1980 mudou-se para os Estados Unidos, onde se casou com o republicano Michael Huffington, membro do Congresso entre 1993 e 1995, pela Califórnia, em cuja campanha Arianna teve um papel preponderante. Foi pouco depois, em 1996, quando era uma figura já estabelecida no partido, que decidiu deixá-lo, numa viragem à esquerda, antes de se ter divorciado do marido, no ano seguinte. 

Em 2005 lançou, com Kenneth Lerer e outros investidores, o Huffinton Post, como alternativa ao Drudge Report, um site de notícias conservador de Hollywood criado por Matt Drudge dez anos antes.

Com os seus nove sites em várias línguas, o Huffington Post ganhou ao longo dos seus 11 anos de existência uma reputação internacional capitalizada nos 81 milhões de visitantes mensais que tem atualmente. 

Sucesso que catapultou Huffington para um lugar ainda mais alto do que aquele em que já estava no ponto de partida - em 2009, era um dos nomes que figuravam na primeira lista da Forbes das mulheres mais influentes do mundo dos media, o Guardian colocou-a no top 100 dos nomes mais relevantes do setor e, em 2014, de novo na Forbes, era já considerada a 52.ª mulher mais poderosas do mundo. Quando em 2011 o Huffington Post foi comprado pelo império da AOL,que a manteve como diretora do projeto, especulou-se sobre o valor da fortuna envolvida no negócio, que, diz-se, rondou os 315 milhões de dólares (279 milhões de euros). Filha de um jornalista, Arianna sempre atribuiu no entanto o seu sucesso à sua mãe, como sublinhou em declarações à BBC. “Foi ela que me incentivou a tentar o que quisesse, que, se falhasse, não me amaria menos por isso.”

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