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Pedro Braz Teixeira 26/08/2016
Pedro Braz Teixeira

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Paz e integração

A UE está numa encruzilhada difícil e insisto em afirmar que nas últimas décadas se instalou um grave equívoco, em que se esqueceu que o objetivo último da “Europa” era a paz e não a integração, muito menos a integração forçada

 

Pode defender-se que a integração serve a paz, a prosperidade, a segurança, etc., mas tem de se perceber que ela é sempre um instrumento e que os verdadeiros objetivos são a paz, a prosperidade, a segurança, etc.

 Inverter a hierarquia entre objetivos e instrumentos já gerou problemas gravíssimos no passado, sendo o maior deles o euro, pois a integração monetária revelou-se contrária à paz e à prosperidade. Pior ainda, ao ter-se pretendido uma integração forçada criaram-se ainda mais anticorpos. 

É necessário recordar que se pretendeu obrigar o Reino Unido a entrar no euro e que este país teve de lutar muito para não ser arrastado para o erro épico que foi a constituição do euro. 

Uma das razões do Brexit estará justamente neste episódio, em que a concessão da cláusula de exceção britânica foi concedida com relutância e gerando ressentimentos de parte a parte. Mas com legitimidades muito diferentes. É evidente que o Reino Unido tem todo o direito de ficar ressentido por quererem forçá-lo a entrar numa integração com a qual não concordava. Repare-se que a atitude britânica não era dizer que o euro não se devia fazer, mas simplesmente que o fizessem sem o Reino Unido. Isto tem-se repetido: os britânicos não querem obrigar os outros países a participar num modelo único, mas são - e ainda bem - extremamente ciosos da sua liberdade. 

Já o ressentimento comunitário é ilegítimo, não só porque é abusivo pretender uma integração forçada como porque o euro se revelou um projeto com gravíssimas falhas, tendo o tempo reforçado essa avaliação. 

Pior ainda, Bruxelas pretendeu que o Reino Unido contribuísse para resolver os problemas do euro. Isto é francamente demais. Primeiro, avança com um projeto que os britânicos achavam repleto de problemas, e agora, quando estes se revelaram ainda piores do que o esperado, quer em termos políticos, quer económicos, exige dinheiro britânico para lidar com uma asneira em que eles, em boa hora, se recusaram a participar. 

Há uma questão que se impõe: quando é que os parceiros comunitários pediram publicamente desculpa ao Reino Unido por os terem forçado a integrar o desastre do euro?

Como é evidente, este pedido de desculpas deveria ajudar a perceber que, demasiadas vezes, apesar de extremamente minoritária, a posição britânica era a correta. Isto também deveria levar a rever o ressentimento passado com o Reino Unido, por este se opor a certos projetos europeus que mais valia que não se tivessem realizado. Também deveria contribuir para adotar uma atitude muito mais amistosa nas negociações do Brexit.

Infelizmente, tenho muito poucas expectativas de que os líderes europeus saibam arrepiar caminho. Estou mesmo convicto de que os historiadores do futuro encararão o euro como o principal responsável pela morte da UE. 

Aliás, houve ainda recentemente uma reunião entre Merkel, Hollande e Renzi que revela tudo o que está errado na “Europa”. Por um lado, a opção por um diretório extremamente restrito, em que nem sequer países grandes como a Espanha e a Polónia têm assento e, por outro, a ideia de que os problemas se resolvem com mais integração. Tentar resolver o excesso de integração com ainda mais integração só pode trazer o desastre. É que a UE podia dissolver-se de forma pacífica e planeada, mas tudo indica que se irá decompondo com o máximo de ressentimentos e de forma desorganizada.


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