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Gregório. A pastelaria que ‘a polícia’ recomenda

Gregório. A pastelaria que ‘a polícia’ recomenda

João Porfírio Joana Marques Alves 06/08/2016 19:41

As queijadas têm mais de 120 anos, o espaço tem apenas 70. Mas o nome Gregório faz parte do léxico de todos os apaixonados pela doçaria portuguesa. E não, nem tudo se resume às queijadas de Sintra - vale a pena provar as broas de mel

Sintra não é feita apenas do seu centro histórico. A Quinta da Ribafria acrescenta mais beleza ao concelho, o mercado de São Pedro mais vida e o Gregório mais sabor.    

Gregório Casimiro Ribeiro era um homem muito ativo na vila. Em 1890, abriu a sua própria fábrica de queijadas, que rapidamente se tornaram um sucesso. Até aos dias de hoje. Mas só após a morte do criador destas iguarias, em 1947, é que o seu filho, Álvaro de Almeida Ribeiro, pondera abrir um espaço físico dedicado à comercialização dos produtos. É assim que, há 70 anos, na Avenida Dom Francisco de Almeida, abre a Pastelaria Gregório.

É nessa altura que se começam a produzir outros doces – alguns deles tornam-se um sucesso. “A nossa especialidade, além das queijadas e dos pastéis de nata, são as broas de mel. Costumo receber e-mails de turistas de vários países, como os Estados Unidos ou a Suíça, que pedem que lhes envie mais broas”, conta ao i Teresa Matos, sócia gerente do estabelecimento.

Paragem das queijadas. O espaço pode ser pequeno e discreto, mas o Gregório dá nas vistas. Não só graças à qualidade dos doces, mas também devido à ajuda das ‘autoridades’... Ou de um simples desenho de um polícia sinaleiro que indica a entrada do espaço. 

A imagem do agente da autoridade tornou-se um símbolo do Gregório e todos os sintrenses o conhecem – mesmo na altura em que o estabelecimento foi remodelado, a gerência fez questão de não se esquecer do seu polícia, recuperando-o e colocando-o no seu posto.

A verdade é que muitos não precisam das indicações deste guarda para saber onde fica o Gregório. “O antigo Presidente da República, Mário Soares, era nosso cliente. Sempre que ia passar uns dias à sua casa em Nafarros, passava aqui para comer pastéis de nata. António Guterres e [o antigo presidente da Câmara de Sintra] Fernando Seara também passaram por aqui”, recorda Teresa Matos.

Mas são os sintrenses que dão vida à casa. “Algumas pessoas vêm aqui todos os dias. Já se tornaram verdadeiros amigos. De tal forma que já fui convidada para ser madrinha do filho de uma pessoa que me conheceu aqui”, afirma.

“Temos de tomar conta de nós” Francisco e Filipa Almeida Ribeiro são bisnetos de Gregório e já tomam conta da pastelaria, mantendo viva a memória do seu fundador e a qualidade dos produtos. Mas nem tudo é fácil para um estabelecimento que se encontra fora do centro histórico de uma vila como Sintra.

“Sentimos a crise e sabemos que isto nunca mais vai ser igual. Mas o pior de tudo não é a crise. O pior é não termos a estrada [com movimento] aqui. Agora fizeram a autoestrada e as pessoas que passam aqui perto vão ao centro histórico. As pessoas que aqui vêm fazem-no porque nos conhecem, já não vêm cá por acaso. Vêm cá porque alguém lhes disse ou porque já conheciam os nossos produtos – fazemos muitas revendas para Cascais, Estoril e Lisboa”, explica a sócia gerente da pastelaria.

Questionada sobre um possível apoio por parte do município, Teresa Matos é assertiva na resposta: “A câmara não tem de alterar nem ajudar em nada, nós é que temos de trabalhar, esforçar-nos para sermos conhecidos. Não temos de estar à espera que os outros tratem de nós. Não temos de estar sempre a pedir apoios, temos de tomar conta de nós próprios”.

Todas as pastelarias desta zona têm queijadas de Sintra – são o seu cartão de visita –, mas a qualidade dos restantes produtos ajudam a solidificar um estabelecimento. Há mais de 120 anos, Gregório Casimiro Ribeiro quis vender o tão conhecido produto da vila, mas os seus descendentes souberam como transformá-lo num negócio de sucesso. Com a ajuda das restantes iguarias comercializadas, a pastelaria Gregório tornou-se um espaço de paragem obrigatória para os apreciadores da boa doçaria portuguesa. De tal forma, que até ‘a polícia’ o recomenda.

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