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JSD acusa deputados do PSD de falta de coerência no caso das viagens ao Euro

JSD acusa deputados do PSD de falta de coerência no caso das viagens ao Euro

Miguel Silva Margarida Davim 04/08/2016 19:39

Polémica dentro do PSD

A distrital de Braga da JSD “repudia de forma veemente a postura do líder parlamentar do PSD e do seu vice presidente Hugo Soares” no caso das viagens pagas para ver jogos do Euro 2016 em França.

A JSD de Braga não entende o facto de Hugo Soares, de Luís Montenegro e de Luís Campos Ferreira – todos deputados do PSD – terem viajado para ver o campeonato europeu de futebol a convite de Joaquim Oliveira, quando o PSD critica o pagamento de viagens do secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, Rocha Andrade, pela Galp.

“A defesa dos jovens exige que sejamos coerentes. Não podemos apregoar um caminho e os nossos representantes fazerem o contrário. Não podemos pedir explicações ao secretário de Estado dos Assuntos Fiscais que vai ao Europeu a convite da Galp e ser surpreendidos pela intimidade do líder parlamentar [Luís Montenegro] e do seu primeiro vice-presidente, Hugo Soares, com interesses empresariais”, defende o líder da JSD de Braga, Firmino Vila Verde Costa, em comunicado enviado às redações.

Firmindo Vila Verde Costa diz mesmo que “o país espera mais do PSD e o líder do partido, Passos Coelho, não merece, pelo esforço que fez pelo país, este tipo de demonstrações”.

“Não podemos condenar politicamente o secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, quando o nosso líder parlamentar e o seu primeiro vice-presidente Hugo Soares aceitam participar em viagens de amigos, não dignificando e honrando as funções que exercem. Este caso é uma verdadeira pouca vergonha que não podemos aceitar de modo algum”, ataca o líder da JSD de Braga.

Recorde-se que o Observador noticiou hoje que Luis Montenegro, Hugo Soares e Luís Campos Ferreira viajaram para o Euro 2016 a convite do empresário Joaquim Oliveira, que terá custeado todas as despesas das deslocações dos deputados, enquanto o líder Passos Coelho e o secretário-geral do partido, Matos Rosa, pagaram as suas idas à final do campeonato do seu próprio bolso.

A notícia do Observador surgiu já depois de o PSD ter anunciado pela voz de António Leitão Amaro que iria questionar o Governo, através do Parlamento, sobre as viagens pagas pela Galp a Rocha Andrade, para tentar apurar se se estaria perante um “recebimento indevido” – um crime previsto na lei da responsabilidade criminal dos titulares de cargos públicos que pode ser punido com uma pena de prisão de um a cinco anos.

Apesar disso, foi apenas o CDS quem pediu a demissão do secretário de Estado, condenando o facto de ter aceite um convite de uma empresa com a qual a Autoridade Tributária – que tutela – mantém um contencioso de 100 milhões de euros.

Rocha Andrade e os outros dois secretários de Estado que viajaram a convite da Galp já anunciaram que vão reembolsar a totalidade dos gastos que foram custeados pela Galp nas deslocações que fizeram ao Euro 2016.

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