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Eurico Brilhante Dias. “Carlos Costa não cometeu qualquer falha grave no caso do Banif”

Eurico Brilhante Dias. “Carlos Costa não cometeu qualquer falha grave no caso do Banif”

Miguel Silva Margarida Davim 29/07/2016 09:47

O deputado do PS aponta três culpados no Banif: os acionistas, o Banco de Portugal  e o governo de Passos Coelho

Depois de mais de 100 horas de audições, Eurico Brilhante Dias teve a tarefa de redigir o relatório com as conclusões da comissão de inquérito ao Banif. Não escapou às críticas do PSD - o único partido a votar ontem contra o relatório, que contou com a abstenção do CDS -, mas garante que só deixou no documento aquilo que conseguiu comprovar factualmente, recusando a ideia de que fez um uso político das conclusões. O deputado socialista não hesita, porém, em apontar culpados para o que levou o Banif a custar mais de três mil milhões de euros ao Estado. Mas chega ao fim com uma conclusão que não permite pôr em causa a continuação de Carlos Costa como governador do Banco de Portugal: não houve uma falha grave que possa ser invocada para o afastar do lugar. Ainda assim, acha que os poderes do Banco de Portugal devem ser alterados para separar regulação e supervisão, e acredita que “não é impossível” fazer essa alteração legislativa já nesta legislatura. 

Produziu 471 páginas de relatório sobre a comissão de inquérito do Banif…

Já vai em 483.

Muitas pessoas não têm noção do trabalho que estas comissões dão. Sabe quantas horas dedicou a isto?

Centenas. Vários fins de semana. Até uma ida aos Açores para as jornadas parlamentares do PS… Devo ter umas centenas de horas entre leitura de documentos, escrever, reuniões… E há as audições, que foram mais de 100 horas, creio que 104 ou 105. Estaremos, se calhar, a falar de um milhar de horas dedicadas a isto.

Resolveu fazer uma conferência de imprensa para divulgar o relatório preliminar da comissão e foi muito criticado pela oposição. Porque o fez?

Humanamente, percebo as reações do PSD e do CDS. Mas nesta vida há sempre riscos e não fazer nada também era um risco muito elevado. O calendário que nós determinámos na comissão implicava um longo período entre a entrega do relatório e a apresentação

Eram três dias…

Três dias e meio. Em política, é muitíssimo tempo. Além disso, dezenas de pessoas teriam o relatório. Havia um risco muito elevado de que fosse sendo conhecido de forma tão parcial que as pessoas que o lessem acabassem por, voluntariamente, dar dele uma visão distorcida, e isso seria muito penalizante para o trabalho que a comissão fez. Na esmagadora maioria das comissões anteriores, o relator fez uma apresentação preliminar, e até em alguns casos sem ter entregue o documento, o que não era o meu caso. Eu entreguei o documento e só depois fiz a apresentação do relatório. Se tivesse podido escolher entre entregar o relatório e fazer a apresentação passadas 12 horas na comissão, provavelmente não teria feito a conferência de imprensa.

Foi acusado de fazer uma leitura política…

Percebo que há uma parte das conclusões com a qual o PSD, em particular, não concorda ou, mais do que não concordar, considera que pode ser desequilibrada face à cobertura de outras áreas que estão no objeto desta comissão, mas é um risco. E eu preferi correr o risco.

Às vezes, há a ideia de que nunca há culpados. Na apresentação que fez foi muito claro a identificar culpados: os acionistas, a supervisão do Banco de Portugal e o governo de Passos e Maria Luís Albuquerque…

Não têm todos as mesmas responsabilidades nem contribuíram todos no mesmo grau para o desastre que foi pagarmos mais de três mil milhões de euros.

Nessa gradação de culpas, qual é o peso da responsabilidade política?

Há responsabilidade política. Mas sempre que nos confrontamos em excesso do ponto de vista político-partidário, acabamos por ilibar de forma indireta aqueles que são os verdadeiros responsáveis. Os primeiros responsáveis pela situação do Banif são aqueles que geriram o banco até 2012. E eu sublinho “até 2012” para fazer justiça àqueles que depois pegaram no banco e que encontraram uma circunstância muito difícil para gerir.

 

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