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À pala de esclarecimento

À pala de esclarecimento

Mário Ramires 07/07/2016 00:01

A Universidade de Lisboa garante que a pala do Pavilhão de Portugal não será fechada nem restringido o acesso ao público a tão privilegiado espaço. Ora ainda bem!

A Universidade de Lisboa – que muito prezo e considero desde muito antes de ser aluno da Faculdade de Direito, onde com orgulho me licenciei – negou a existência de qualquer plano para fechar a pala do Pavilhão de Portugal, parcial ou totalmente.

Em comunicado enviado ao i e aqui publicado na edição de ontem (e nos sites do i e do “SOL”), o vice-reitor da Universidade de Lisboa, prof. João Barreiros, diz que “se trata de um erro grosseiro de quem redigiu e publicou a notícia referida”. 
Ora ainda bem!

Na verdade, esclarecendo, não redigi nem o i publicou uma “notícia”. Se se tratasse de uma notícia e houvesse confirmação de que a Universidade de Lisboa, ou outrem, planeava ou projetava o fecho da pala, tal teria sido apresentado aos leitores do i e ao público em geral como facto (afirmativo e exclamativo), e não como uma mera hipótese ou interrogação. E teria, porque merecia, honras de manchete, e não uma mera chamada de primeira página.

Plano ou proposta formal, com efeito, não existe. E nunca aqui se escreveu que existia. Apenas se escreveu e publicou que, entre as hipóteses aventadas para a readaptação do Pavilhão de Portugal – essa, sim, e confirmadamente em fase de conclusão –, alguém lançou para cima da mesa a ideia de aproveitamento do espaço debaixo da pala, com restrição do respetivo acesso ao público.

Foi contra essa ideia ou hipótese – essa, sim, um “erro grosseiro”, daqueles que não devem e não podem ser cometidos –que escrevi e o i publicou um artigo de opinião. E pelos vistos, a Universidade de Lisboa também assim o considera. 
Tal como, aliás, Jorge Moreira da Silva, que há um ano e picos, enquanto ministro da tutela e ao lado do reitor Cruz Serra, anunciava a passagem do Pavilhão de Portugal para a gestão da Universidade de Lisboa. Em amável mensagem que me enviou, Moreira da Silva frisa que a hipótese de edificar seja o que for sob a pala de Siza violaria o protocolo que assinou e que estipula que o espaço de 1200 m2 a alocar pela universidade a exposições promotoras da ciência e da cultura apenas prevê o interior da área edificada, e não sob a pala.

Com toda a modéstia, permitam-me confessar a minha satisfação por, em boa hora, ter escrito o artigo em questão.
A readaptação do espaço interior do Pavilhão de Portugal, por forma a permitir a sua rentabilização, é uma evidente necessidade.

O envolvimento do arquiteto autor do projeto, Siza Vieira, no estudo respetivo é também a garantia da preservação da identidade e da qualidade da obra. Que é de arte, pública, e património da cidade, de quem nela vive ou simplesmente a visita.

Tal como o espaço sob a pala é de fruição pública. E assim deverá manter-se.
Tal como, ainda e naturalmente, hão de ser públicos e do conhecimento de todos os estudos e projetos de Siza Vieira em fase de conclusão para a intervenção no Pavilhão de Portugal. Mas a verdade é que ainda não o são.

Infelizmente, e pelo menos até agora, toda a discussão e os trabalhos sobre a mesma ficaram fechados entre gabinetes de escritórios e ateliês. Mais ou menos como na penumbra em que fica o Parque das Nações com o sol posto.

O i (como o “SOL”) já se disponibilizou junto da Universidade de Lisboa para trazer a público o estudo ou projeto de readaptação do Pavilhão de Portugal da autoria de Siza Vieira. Para que os seus leitores e o público em geral fiquem esclarecidos e bem informados sobre o destino futuro de uma obra de arquitetura e de engenharia absolutamente notáveis.

Sim, este esclarecimento permite-me também sublinhar a excelência do trabalho da equipa liderada pelo eng.o Segadães Tavares (como bem notou Abel M. J. Silva, em comentário ao meu artigo publicado no site do i), que tornou possível a execução de uma obra de engenharia tão complexa quanto a simplicidade genial do seu desenho arquitetónico. 

Há que dar a mão à palmatória (expressão que caiu em desuso – e não porque as palmatórias passaram a ser sinónimo de medievalidade): tratou-se de lapso imperdoável. Mas que assim fica corrigido. Porque se a pala está a salvo, a omissão da menção a Segadães Tavares foi, para mim, o único “erro grosseiro” do meu artigo.

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