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Manuel Alegre. “Querem castigar Portugal por ter um governo de esquerda”
Alegre diz que seria “um grande erro político” da União Europeia aplicar sanções a Portugal

Manuel Alegre. “Querem castigar Portugal por ter um governo de esquerda”

Alegre diz que seria “um grande erro político” da União Europeia aplicar sanções a Portugal Miguel Silva/AP Luís Claro 06/07/2016 11:10

Histórico do PS critica instituições europeias por causa das sanções. A decisão voltou a ser adiada

O histórico do PS Manuel Alegre critica duramente a postura das instituições europeias por ameaçarem aplicar sanções a Portugal e considera que este debate só está em cima da mesa porque existe um governo de esquerda.

“Estão a utilizar um formalismo jurídico para, politicamente, castigar Portugal por o país ter um governo de esquerda. Isso é, além de injusto, um grande erro político nas circunstâncias atuais e dá impressão que o sr. Schäuble e aqueles que com ele estão coordenados querem que na Europa haja governos alinhados. Uma nova espécie de governos de Vichy”, diz, em declarações ao i, Manuel Alegre. O ex-deputado do PS não tem dúvidas de que “a intenção política é dificultar a vida ao governo do PS apoiado por dois partidos de esquerda”.

Manuel Alegre não ataca só a União Europeia. O socialista lamenta a postura de Passos Coelho e de Maria Luís Albuquerque durante este processo. Em relação ao presidente do PSD, diz que “não é bonito que Passos Coelho coloque a partidarite acima do que devia ser a defesa do interesse de Portugal e do povo português”. Sobre a ex-ministra das Finanças, Alegre diz que “seria bom” que explicasse porque é que afirmou que “se fosse ela a ministra das Finanças, não havia sanções. É uma pergunta que não pode deixar de ser feita”.

O histórico socialista espera, porém, que “prevaleça o bom senso nas instituições europeias e, sobretudo, que se dê uma volta a esta conceção punitiva” que atinge países como Portugal. “Nós não entrámos para a Europa para sermos destroçados como país”, afirma Alegre, alertando para que “situações desta natureza deixam perspetivas sombrias” sobre o futuro da Europa. “Isto abre caminho ao desencanto, ao descontentamento, ao populismo e, em certos países, à extrema-direita”, conclui o socialista.

Comissão adia decisão Ainda não foi desta que a Comissão Europeia decidiu se vai ou não aplicar sanções a Portugal e Espanha por incumprimento do défice. Pierre Moscovici, comissário para os Assuntos Económicos, disse apenas que o assunto foi discutido e que será anunciada uma decisão “muito em breve”. Moscovici, numa conferência de imprensa em Estrasburgo sobre o combate à evasão fiscal, defendeu que as regras europeias são para cumprir, mas de uma forma inteligente. “Iremos atuar em cumprimento das regras do Pacto, que têm de ser respeitadas. É uma questão de credibilidade. Mas estas regras também são inteligentes e exige-se que sejam aplicadas de forma inteligente, e é nesse espírito que vamos decidir muito em breve.” O mais provável é a decisão ser tomada amanhã.

Ataque à democracia O Bloco de Esquerda criticou mais um adiamento da União Europeia. Catarina Martins, coordenadora do BE, defendeu que “o que está a acontecer neste momento é um ataque à democracia em Portugal e à nossa economia, porque o que está a ser feito é fazer adiamentos sucessivos para fazer pressão sobre o atual governo”.

Do lado do PSD, Luís Montenegro defendeu que “só com inabilidade e incompetência do governo haverá sanções”. Montenegro rejeita a ideia de quaisquer sanções, defendendo que, mesmo que simbólicas, seriam “injustas e discriminatórias”. “Não há fundamento para a aplicação de sanções”, afirmou o líder parlamentar do PSD. Carlos Carreiras, num artigo no i, defende que “as sanções só estão em cima da mesa porque este governo está a pôr em causa todos os compromissos assumidos relativamente ao futuro”.

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