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CGD. Governo já admite que vai reduzir 2500 trabalhadores
Tomada de posse da comissão de inquérito à CGD vai ocorrer esta tarde no Parlamento

CGD. Governo já admite que vai reduzir 2500 trabalhadores

Tomada de posse da comissão de inquérito à CGD vai ocorrer esta tarde no Parlamento José Sérgio Sónia Peres Pinto 05/07/2016 08:36

O número foi avançado pelo secretário de Estado do Tesouro ao sindicato dos trabalhadores da Caixa

O governo já assumiu o corte de 2500 trabalhadores da Caixa Geral de Depósitos (CGD) até 2019. A informação foi avançada pelo secretário de Estado do Tesouro, Ricardo Mourinho Félix, num encontro com o sindicato de trabalhadores da CGD. No entanto, essa avaliação vai ser feita pela nova administração, cuja entrada ainda está a aguardar luz verde por parte de Bruxelas, mas que o governo acredita que “estaria para breve”.

Ricardo Mourinho Félix disse ainda que essa redução irá passar por reformas ou reformas antecipadas, “sempre por acordo entre a CGD e o trabalhador”, afastando assim um cenário de despedimentos.

Aliás, este é um dos critérios presentes no plano de reestruturação para a CGD que, de acordo com Mourinho Félix, já foi aprovado e implica uma ideia-chave: “Manter o atual nível de intervenção no mercado, com menos balcões e menos trabalhadores, mas com uma nova organização e um mais eficaz método de trabalho”, salientou neste encontro.

Já a redução de balcões irá ocorrer maioritariamente no estrangeiro, “onde os interesses da CGD e dos seus clientes passariam a ser assegurados por um banco local através de acordo preferencial. No entanto, a nível dos PALOP, o plano aposta num crescimento sustentável”, revelou o secretário de Estado durante esse encontro.

Injeção de capital Na reunião com o sindicato não houve novidades sobre a injeção de capital. Apesar de os últimos números apontarem para uma necessidade de cinco mil milhões de euros - mais mil milhões do que se falava inicialmente -, eles ainda não foram confirmados pelo governo. O ministro das Finanças disse apenas que espera que o banco regresse aos lucros daqui a cinco anos.

Mas o executivo deixa uma garantia: “O governo assume, sem reservas, uma CGD de capital totalmente público, com uma dimensão nunca inferior à atual em termos de quota de mercado, mas que permita apoiar mais as empresas, nomeadamente as PME, de uma forma mais próxima, e continuar a ser para a população o fiel depositário das suas poupanças e o seu banco de referência”, adianta ainda o sindicato - uma declaração que vai ao encontro do que foi garantido pelo primeiro-ministro no debate quinzenal focado na CGD.

Salário causa incómodo Apesar das incertezas vividas na CGD, há dois temas que têm vindo a gerar polémica: o fim do estatuto de gestor público para a CGD, o que irá permitir salários mais altos para a administração do banco, e o facto de António Domingues vir a acumular o salário que irá ganhar no banco do Estado com a pensão do BPI, visto ter pedido a reforma antecipada - uma situação que não está a cair bem junto dos sindicatos do setor ouvidos pelo i. Apesar de reconhecerem que é legal, admitem que “do ponto de vista moral poderá ser questionável”.

O gestor trabalhou 27 anos no banco liderado por Fernando Ulrich e a instituição financeira aceitou que o ex-vice-presidente antecipasse em seis meses a reforma. Para quem tem mais de 16 anos de serviço e mais de 60 anos, o benefício será de 100% do vencimento mensal fixo do mês anterior à data do pedido da reforma. António Domingues completa 60 anos em dezembro, o que justifica o pedido de antecipação da reforma.

Para o presidente do sindicato dos trabalhadores da CGD, João Lopes, trata-se de “uma questão ética e moral no mínimo duvidosa”, apesar de reconhecer que é uma prática comum na banca portuguesa. “Isso tem a ver com o país que somos e com a forma como tudo isso é gerido. É, de facto, uma situação no mínimo imoral, mas a moralidade da banca e dos banqueiros sempre foi muito duvidosa”, critica.

O sindicalista lembra, no entanto, que este não é um caso inédito e dá como exemplo a situação de António Vieira Monteiro, que é atualmente presidente do Santander Totta e que também acumula o salário com a reforma que é paga pela CGD.

“António Monteiro reformou--se como diretor da Caixa no dia em que saiu da administração e no dia a seguir entrou no Santander. A única diferença é receber a reforma de um banco público e foi para a concorrência; agora é o contrário”, refere.

Ainda assim, o presidente do Sindicato dos Bancários do Sul e Ilhas, Rui Riso, em entrevista ao i, lembra que o fundo de pensões do BPI é privado e que funciona como uma espécie de plano poupança-reforma (PPR), além de não afetar as contas públicas. “Outra questão é saber se é muito dinheiro ou pouco dinheiro, se deve ou não deve receber esse valor. Podemos achar que é muito dinheiro e que é imoral, mas quem está a pagar esse fundo de pensões é o banco”, salienta.

Já em relação ao fim do estatuto de gestor público, o governo tem vindo a justificar esta decisão com a necessidade de os órgãos sociais da CGD terem um tratamento, em termos de remunerações e carreiras, idêntico ao que vigora no setor privado.

Este argumento, ainda assim, não pareceu convencer o Presidente da República. Marcelo Rebelo de Sousa promulgou na quinta-feira passada o fim de tetos salariais, mas com algumas reservas e deixando um aviso claro: a equipa de António Domingues terá de justificar os aumentos com resultados positivos.

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