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França 2016. Este Europeu é para pequenos

França 2016. Este Europeu é para pequenos

AP Filipe Escobar de Lima 22/06/2016 11:42

Com o alargamento do modelo da prova de 16 para 24 seleções, existente desde 1996, havia a hipótese de os favoritos fazerem da fase de grupos um passeio. Não foi o que aconteceu e Hungria, Eslováquia e Croácia já estão qualificadas 

É tudo uma questão de proporções. Olhamos para Cristiano Ronaldo e lembramo-nos da pequena Madeira (ilha) e agora vemo-lo no topo do mundo. Então por que caiu ele em cima da Islândia daquela maneira, criticando o tipo de jogo (defensivo) e a atitude dos seus jogadores em campo? “A Islândia foi só pontapé para a frente. Depois do golo, meteram o autocarro lá atrás. Não queriam jogar e nós sabíamos que seria assim.” Parece injusto até porque há mais o que o une aos islandeses do que o que os separa.

Tal como ele, os islandeses vêm de uma ilha pequena (há 262 mil madeirenses para 319 mil islandeses, cada um na sua ilha). A família de Ronaldo – muito antes de ele ser a marca CR7 – teve de o mandar para o continente, uma terra maior, para ele crescer, mas até lá era aquele miúdo magricela, com sotaque madeirense carregado e gozado pelos outros miúdos. O mesmo se passa com a Islândia.

Lançada no Europeu num caldeirão com uma das melhores seleções do mundo (Portugal é oitavo no ranking, a Islândia é 35.º) teve de se fazer à vida. E, como Ronaldo, quis mostrar-se. Os jogadores estudaram, prepararam-se e treinaram para o sucesso. O máximo que podiam ter conseguiram, que era não perder com Portugal. Foi o treinador que o disse antes do jogo com os portugueses, um ponto já seria uma vitória. E foi isso que aconteceu. A Islândia, longe de ter um Bola de Ouro (esse nome para qualificar o melhor futebolista do mundo) joga com os 319 mil islandeses e a sua vontade. 

É isto que o Euro tem mostrado. As seleções menos cotadas estão a passar a perna aos favoritos e isso não estava no guião. Este Campeonato da Europa conta com o maior número de equipas (24), expandido o formato de 16 equipas que era usado desde 1996, não mostrou como era esperado a chacina dos mais fracos. Os últimos classificados dos seis grupos não são os menos cotados: Roménia (19.º), Rússia (27.º), Ucrânia (22.º), Turquia (13.º), Rep. Irlanda (31.º) e Áustria (11.º), todos no quarto e derradeiro lugar das respetivas tabelas, eram todas candidatas a seguir em frente, se não vencessem os seus grupos pelo menos não seriam  eliminadas.

E é aqui que entram as menos favoritas em ação para desequilibrar a balança. A Albânia (45.º) deu cabo das contas aos romenos, enquanto a Eslováquia (32.º) já se apurou e intrometeu-se nas contas,  despachou a Rússia e tem os mesmos pontos que Gales (24.º), depois de ter empatado com a Inglaterra (10.º). A Irlanda do Norte (26.º) bateu a Ucrânia e perdeu pela margem mínima com a Alemanha (5.º) – eliminou os ucranianos e está à espera de saber se segue para os oitavos-de-final. 

Eis-nos chegados à Islândia, com uma diferença de 27 lugares no ranking para Portugal e 24 a menos que a Áustria chega à ultima jornada do grupo em segundo lugar. É uma questão de resistência. E se o ranking não é tudo, Gales (24.º) e Irlanda do Norte (26.º) estão bem classificados, a inexperiência em fases finais podia pesar, mas também aqui mostraram não haver favoritos – os galeses passam como primeiros no seu grupo à frente da Inglaterra e a Irlanda do Norte pode ser repescada.

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