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Um poste it para o próximo jogo: é preciso mesmo ganhar

Um poste it para o próximo jogo: é preciso mesmo ganhar

AP José Paiva Capucho 18/06/2016 22:44

Portugal voltou a empatar (0-0) um jogo no Euro'16, agora diante dos austríacos. Terá de ser o tudo por tudo frente à Hungria.

É favor pegar nas calculadoras a partir de agora. Nada que se estranhe por terra portuguesas, já que a seleção nacional está mais do que habituada a essas práticas matemáticas.
 
Portugal voltou a empatar no Euro'16, desta vez diante da Áustria (0-0). Falharam-se ocasiões claras de golo e até um penálti naquele que já é o jogador português com mais internacionalizações (128). Falamos de Cristiano Ronaldo, o homem da noite, para o bem e para o mal. 
 
Depois do empate entre a Hungria e a Islândia (1-1), a seleção portuguesa liderada por Fernando Santos via-se obrigada a pontuar. Não só porque era apontada como a favorita no grupo, mas também porque de jogadores a dirigentes, todos disseram que este europeu era "para vencer".
 
O selecionador nacional avisou que revoluções "só em 1974", mas mentiu: Portugal jogou em 4-3-3, trocando Danilo Pereira por William Carvalho e João Mário por Quaresma. Era preciso atacar, atacar, atacar. Mas isso não chega, como todo o conhecedor disto a que chamamos o "jogo jogado", para alcançar a vitória.
 
Do outro lado esteve uma Áustria, que perdeu na ronda inaugural diante dos húngaros (2-0), e que vinha ao Parque dos Príncipes em Paris para demonstrar que era uma das equipas que queria surpreender a Europa. Conseguiu isso mesmo logo aos 3', com Hamnik, o avançado do Estugarda que esteve muito tempo durante o jogo a criar problemas à dupla Ricardo Carvalho e Pepe, a cabecear ao lado da baliza de Rui Patrício.
 
A partir daí foi Portugal a mandar no jogo e a fazer o suficiente para se adiantar no marcador. Os austríacos, com Alaba - aqui a jogar a 10, não como faz no Bayern de Munique onde joga a lateral-central - preferiram esperar lá atrás para se lançarem no contra-ataque.
 
Começou aos 6' com um cabeceamento por cima de Nani, prolongou-se aos 12 com mais um remate do jogador do Fenerbache isolado a falhar diante de Robert Almer - e a recarga por cima de Vieirinha - e chegou aos 22' com Ronaldo a atirar ao lado, depois de uma combinação perfeita entre Raphael Guerreiro com o também ex-jogador do Sporting.
 
Mas Nani, que tinha feito o único golo português à Islândia, estava de pé (ou melhor, de cabeça) quente. Aos 29' aproveitou um cruzamento certeiro de André Gomes para enviar ao poste da baliza de Almer.
 
Havia de facto muita alma lusitana, mas golos, nem vê-los. As estatísticas, que muitas das vezes alegram, outras vezes irritam, deixavam Portugal cada vez mais nervoso: a seleção das quinas era a equipa com mais remates do europeu em França, mesmo tendo jogado menos de 60 minutos nesta partida.
 
Nem o goleador português (58 golos), entenda-se Ronaldo, conseguiu destruir a noite inspirada do guarda-redes austríaco com um remate aos 38'. 12 oportunidades contra apenas uma da Áustria. E a estrela Alaba? Só assustou com um livre aos 41', que Vieirinha curtou "in extremis".
 
A segunda parte começou como a primeira: com os austriacos a quase chegarem ao golo. Foi a vez de Ilsanker rematar com estrondo aos 46' para a única grande defesa do guardião leonino.
 
Ficou registado novo aviso. Bomba com bomba se paga, portanto foi a vez do craque do Real Madrid tomar o gosto ao pé: aos 55' deixou as luvas de Almer a arder, que voltou novamente a tirar o pão da boca a Ronaldo no minuto seguinte, depois de um canto de Quaresma.
 
A Áustria não conseguia atacar, quase pensando que seria impossível parar a pressão portuguesa, e o madeirense - que fez neste jogo mais remates do que toda a equipa da Irlanda do Norte (17) - via o caminho para o golo cada vez mais difícil.
 
Se não era de cabeça, nem pelo pé ou de canto, tinha de ser de penálti, claro está. Foi o que aconteceu aos 79', com a oportunidade de Ronaldo se tornar o primeiro a marcar em quatro europeus. A sorte que serviu Portugal durante a qualificação, não quis mesmo nada connosco em França: o homem a quem milhões de portugueses depositam as esperanças, falhou a grande penalidade (a primeira portuguesa em europeus), enviando a bola ao poste.
 
Nem com as entradas de João Mário e Rafa (estreou-se neste Euro), o golo apareceu. Nem mesmo quando a bola entrou - sim, um cabeceamento direto para as redes de Almer de Ronaldo foi anulado por fora-de-jogo aos 85'.
 
É hora de pegar nas calculadoras, porque no próximo dia 22 frente à Hungria vai ser mesmo preciso materializar a ambição de vencer o primeiro europeu na história.

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