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Baile de debutante. Portugal ou vai ou racha (e empata muito)

Baile de debutante. Portugal ou vai ou racha (e empata muito)

DR Filipe Escobar de Lima 15/06/2016 09:57

Esta é a sétima participação desde a estreia em 1984 e a tendência é o empate no jogo de entrada. A seleção portuguesa só por duas vezes venceu o primeiro jogo. Um deles o épico contra a Inglaterra

O menino dança? Neste caso a pergunta é sempre a mesma: à espera que o chamem para o primeiro jogo, a subida ao palco para as estreias nos Europeus nem sempre são boas. Ou melhor, o primeiro encontro de Portugal nos Campeonatos da Europa, diz a média, dá empate. Em seis participações na prova que existe desde 1960 – os portugueses só começaram a participar em 1984 – a seleção das quinas só venceu em duas estreias. Pouco?

Muito pouco. A estreia das estreias foi em 1984, em França, tal como se joga em terras francesas. Seria pela França que morreríamos (na praia?), depois daquela meia-final épica contra os franceses que perderíamos no prolongamento (3-2). Platini e os seus sagrar-se-iam campeões com uma vitória na final sobre a Espanha. Mas antes, muito antes, foi o baile de debutantes e o de Portugal foi contra a Alemanha Ocidental – deu empate, 0-0. Em Estrasburgo não marcou mas também não sofreu, empate que seria repetido no jogo a seguir com a Espanha (1-1, Sousa marcou para a seleção de Fernando Cabrita) em Marselha. Foi o ano em que “Amadeus” ganhou o Óscar de Melhor Filme e a Suécia, com Herreys a cantar Diggi-Loo Diggi-Ley, venceria o Eurofestival da Canção. Ou seja, a vitória de Portugal sobre a Roménia (1-0) com um golo de Nené foi uma música que não se esperava. Passava Portugal e ficava eliminada a Alemanha. O resto já se sabe, os dois golos de Domergue e o de Platini acabaram com as nossas esperanças.

Seguiu-se um buraco de 12 anos em que Portugal falhou a presença em duas fases finais seguidas, 1988 e 1992. Regressaria em 1996, no Euro de Inglaterra (esta ainda longe do Brexit de hoje). Aí, mais propriamente ali em Sheffield, deu outra vez empate, agora com a Dinamarca. Marcou Laudrup (Brian e não Michael) primeiro, respondeu Sá Pinto em segundo – ficou 1-1. Not bad. Nos dois jogos seguintes, embalados por esse empate, a equipa de António Oliveira somaria duas vitórias (Turquia e Croácia). Até que tudo acabou com aquele chapéu de Poborsky. Seguiria a seleção checa até à final, aí perderia para a Alemanha 2-1, com aquele golo dourado de Bierhoff.

A primeira vitória na estreia de uma fase final surgiria quatro anos depois, em 2000, no Europeu conjunto da Holanda e Bélgica. Quem não se lembra? Contra a Inglaterra e a perder 2-0 aos 18 minutos. Scholes, aos 3’, e McManaman, aos 18’, enterraram um país inteiro no bolso. Mentira. Em 37 minutos (entre o 22.º e o 59.º) desenhou-se um dos mais belos contos de futebol: Figo, João Pinto e Nuno Gomes. 3-2 e não se fala mais nisso. Depois foi acabar a fase de grupos só com vitórias: sobre a Roménia (1-0) e Alemanha (3-0, sim aquele hat-trick de Sérgio Conceição). Seguir-se-ia a Turquia nos quartos-de-final (2-0), mas nas meias-finais a seleção de Humberto Coelho ficaria pregada à mão de Abel Xavier. Até começámos a ganhar, por Nuno Gomes, mas Henry primeiro e Zidane depois (a converter o penálti cometido por Abel). Novamente seria a França campeã, agora com uma vitória na final sobre a Itália (2-1).

E mais? Nem no Euro 2004, realizado em casa, Portugal iniciou o torneio a ganhar. Perdeu na estreia no Dragão com a Grécia (2-1), a mesma seleção que derrotaria Portugal na final (1-0). Entre um jogo e outro, Portugal venceria o grupo mesmo assim, com uma vitória sobre a Rússia (2-0) e outra sobre a Espanha (1-0). Depois foi a vez da Inglaterra 2-2 (6-5 nos penáltis, sim aquela defesa de Ricardo sem luvas) e a Holanda (2-1). O sonho de Scolari e de milhões de portugueses nunca esteve tão perto, mas esbarrou como Ricardo esbarrou na cabeça de Charisteas.

A caminhada em 2008 iniciou-se com uma vitória frente à Turquia (2-0, Pepe e Meireles), o que deu alento para derrotar a Re. Checa (3-1, com golos de Deco, Ronaldo e Quaresma). Só que depois, depois apareceu outra vez a Alemanha e auf Wiedersehen, 3-2 e os golos de Nuno Gomes e Postiga nunca sequer fizeram mossa aos alemães. A vingança foi a Espanha ter ganho à Alemanha na final, 1-0, quando Fernando Torres decidiu ir por ali fora, com aquele relvado de Viena só para ele. Foi o início do reinado espanhol.

Falámos da Alemanha? Foram novamente os alemães a abrir a participação portuguesa em 2012. Derrota, claro. 1-0. Foi Gomez. Serviu de lição: Dinamarca (3-2, Pepe, Postiga e Varela), Holanda (2-1, dois golos de Ronaldo) e, nos quartos-de-final a Rep. Checa (1-0, Ronaldo outra vez) saíram derrotadas. O pior foi depois. O jogo sem golos com a Espanha levaria a coisa (leia-se meias-finais) para os penáltis: João Moutinho e Bruno Alves falharam e Fàbregas não. E isso foi fatal. A Espanha venceu o título que tinha em sua posse, com uma goleada na final sobre a Itália (4-0). Hasta la vista, baby?    

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