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Nacionalização do Novo Banco é possível? “Sim”, diz António Costa
O primeiro-ministro, entrevistado pela SIC Notícias, garante que vai cumprir a legislatura

Nacionalização do Novo Banco é possível? “Sim”, diz António Costa

O primeiro-ministro, entrevistado pela SIC Notícias, garante que vai cumprir a legislatura José Fernandes Manuel Agostinho Magalhães 12/05/2016 10:23

Novo Banco pode ficar no Estado se não houver melhor opção, garante António Costa. Do ministro da Educação disse ser “uma pessoa fantástica”

António Costa admite nacionalizar o Novo Banco, se chegar à conclusão que essa é a melhor solução para os contribuintes. “Não devemos excluir nenhuma hipótese”, disse o primeiro-ministro ontem em entrevista na SIC Notícias. Questionado diretamente sobre a nacionalização, ou seja a continuidade a título de permanência do Banco em mãos públicas, António Costa respondeu: “Se for essa a melhor solução para o contribuinte, sim”.

Sobre a banca, Costa ainda falou do financiamento da Caixa Geral de Depósitos, para garantir um banco completamente público. “A opção que nós temos é manter a Caixa como um banco 100 por cento público, 100 por cento do Estado”, disse. O jornalista José Gomes Ferreira confrontou Costa com a necessidade de pedir autorização à Comissão Europeia para injetar 1500 a 2 mil milhões de euros na Caixa. “Vamos fazer aquilo que temos de fazer”, foi a resposta.

A criação de um “banco mau”, para solucionar o problema dos créditos de risco ajudando os bancos a libertar financiamento para a economia, mereceu de António Costa uma resposta em aberto. Não meteu o projeto, que ele próprio lançou, na gaveta, mas espera o resultado da unidade de missão que apresentará o relatório final a 16 de Junho. “É muito importante que este debate não deixe de se fazer”, e o lançamento desse debate foi o acto de “um político responsável”. Sem adiantar mais, excluiu ainda assim que haja neste processo custos para o contribuinte. “A Irlanda adotou uma solução que não implica custos para o contribuinte”, disse.

O défice aceitável Numa entrevista dominada por temas económicos, António Costa falou ainda do aumento dos números do desemprego. “O que explica o aumento dos desempregados é que há mais pessoas à procura de emprego”. Um paradoxo? Não: “Há uma diminuição significativa de pessoas que estavam em inatividade e que estão agora à procura de emprego”, o que é um sinal de aumento da confiança na economia.  O saldo é positivo entre emprego criado e emprego destruído, completou.

O défice para este ano, segundo a União Europeia, vai estar acima dos 2,2% da previsão do governo e há um plano B que ameaça aumentar impostos aos portugueses. Costa contrapôs que ainda que não se baixe para os 2,2%, a previsão da UE (2,7%) implica que Portugal tenha “um dos melhores défices dos últimos anos”.

“Não sei o que significa a austeridade de esquerda”, respondeu perante a pressão para indicar as medidas que tomará se a Comissão Europeia o exigir. Ficou claro, ainda assim que haverá mais impostos e cortes se for necessário, mas cumprindo o acordo com os parceiros da esquerda.

Colégios, Marcelo e geringonça Falou-se da questão política que tem provocado mais tensões nos últimos dias, com a direita e até com Marcelo Rebelo de Sousa, até agora em silêncio -  o corte de financiamento dos colégios privados.

A parte mais importante, porém, aconteceu no pós-entrevista. “O lugar do ministro não está em causa de forma alguma. Este ministro é uma pessoa fantástica, que tem muito a dar ao país”, disse António Costa, no comentário à sua entrevista, nos corredores da SIC.

Em estúdio, começou por lamentar que haja “muito ruído e pouco esclarecimento” sobre o tema, para depois prometer que os contratos serão cumpridos e que nenhum aluno dos colégios com contrato de associação deixará de completar o ciclo de estudos.

“Não estamos a discutir liberdade de ensino, nem a escola pública ou privada” mas o custo do ensino. “Não faz sentido o contribuinte pagar duas vezes”, defendeu, sublinhando o caráter “subsidiário” do financimento das escolas privadas. Os 73 colégios com contratos de associação serão revistos “caso a caso”, renovando-se os contratos que sejam necessários. Haverá outros critérios além da proximidade da escola pública concorrente (“há colégios que são também lares de crianças”).

Para o final da entrevista sobraram as questões políticas. “Faremos tudo para que o governo se mantenha nos quatro anos da legislatura”, pois “o interesse nacional é que haja estabilidade”. As pressões do Bloco de Esquerda não afetam a sua expetativa e António Costa diz que “todos os partidos fazem uma avaliação positiva” da ‘geringonça’.

manuel.a.magalhaes@ionline.pt

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