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Rixa no Cais do Sodré. Vídeos podem não servir de prova
Segurança no local da rixa foi reforçada nas últimas horas para evitar retaliações sobre o dono do estabelecimento Palácio do Kebab

Rixa no Cais do Sodré. Vídeos podem não servir de prova

Segurança no local da rixa foi reforçada nas últimas horas para evitar retaliações sobre o dono do estabelecimento Palácio do Kebab João Porfírio Carlos Diogo Santos e Pedro Rainho 28/04/2016 08:45

Os investigadores já recolheram todos os vestígios no local onde aconteceram os confrontos, mas os dados ainda não foram enviados para laboratório - o que pode ainda demorar alguns dias. Assim que impressões digitais e invólucros deem entrada, perícias poderão demorar entre 24 e 48 horas. Investigadores querem reconstruir ao detalhe o que aconteceu, tendo em conta que para a justiça vídeos podem não servir de nada

A investigação da Polícia Judiciária à rixa do Cais do Sodré continua, mas os elementos recolhidos na cena do crime, como os invólucros de uma pistola 6.35mm, ainda não foram alvo de perícias - não terão sido sequer enviados para o Laboratório de Polícia Científica, ao que o i apurou. Apesar das várias imagens que têm sido divulgadas, nos últimos dias foi determinante para a investigação perceber o que aconteceu na manhã de segunda-feira e qual a participação de cada um dos elementos do grupo que invadiu o restaurante Palácio do Kebab, no Cais do Sodré. As imagens explicam muitas coisas, mas podem vir a ser consideradas inválidas como prova, pelo que é preciso que os investigadores consigam montar o puzzle como se elas não existissem.

Segundo fonte da PJ, além dos invólucros, a equipa que esteve no local recolheu ainda outros vestígios que serão enviados nos próximos dias para análise. Os objetos atirados contra o dono do restaurante Palácio do Kebab, por exemplo, serão importantes para obter impressões digitais, e o sangue no chão poderá vir a ser usado para testes de ADN.

O i sabe que assim que tais dados deem entrada no Laboratório de Polícia Científica, as perícias poderão ficar concluídas em poucas horas - entre 24h e 48h -, mas não é certo que sejam enviados já.

Uma fonte daquela polícia explicou mesmo que estas coisas demoram, por vezes, mais de uma semana: “No caso do tiroteio da Ameixoeira, entre a recolha dos vestígios [que fizemos no local] e o envio destes para a análise passou mais de uma semana.

Vídeos podem ser invalidados A doutrina divide-se sobre se vídeos como os que registaram as agressões no Cais do Sodré, em frente à discoteca Place, podem ou não servir de prova em tribunal.

Ao i, um procurador do Ministério Público, que preferiu não ser identificado, explicou que “há quem entenda que, quando feitos em espaço público, estes vídeos contam, e há quem entenda que só com autorização é que estas filmagens podem servir como prova”. Lembrando que “há doutrina nos dois sentidos”, defende que o mais prudente é que a investigação não se baseie nessas imagens. “Nos últimos tempos tem-se aceitado mais vezes. Se é uma discussão, por norma, dizem que a prova é ilícita, se for um homicídio, hoje em dia, já é mais aceite”, exemplificou.

Segurança reforçada Ontem era já visível um reforço da segurança em frente ao restaurante de Mustafá Kartal - de nacionalidade turca e origem curda. “Nos próximos dias é certo que haverá uma presença permanente da polícia junto do local dos acontecimentos, com o objetivo de prevenir eventuais retaliações”, explicou ao i fonte oficial da PSP.

O levantamento de provas naquela rua já estará concluído. E segundo o i apurou junto de fonte próxima da investigação, até agora há seis suspeitos identificados, além de Mustafá, o dono do restaurante: três residem na margem sul do rio Tejo e outros três na cidade de Lisboa e arredores. Quatro desses suspeitos foram identificados logo na segunda-feira, nos hospitais de São José, em Lisboa, e Garcia de Orta, em Almada.

Isto porque depois dos confrontos deslocaram-se aos serviços de saúde para receber assistência e foi aí que admitiram estar envolvidos no episódio do Cais do Sodré.

Além dos seis suspeitos foram também localizadas várias testemunhas do confronto - que poderão vir a ser consideradas suspeitas por terem participado nas agressões ou por não terem prestado socorro.

O caso O episódio da madrugada de segunda-feira terá demorado cerca de 20 minutos. Tudo começara por volta das 7h30. Um grupo de jovens forçou a entrada no restaurante de Mustafá. Segundo o próprio, terão roubado o terminal de multibanco e tentado consumir sem pagar. O dono do espaço terá nesse momento tentado afastar os jovens com um objeto cortante, ficando tudo registado em vídeo.

Segundo fonte da PSP, a primeira chamada para as autoridades foi feita já pelas 7h50, 20 minutos depois do início dos distúrbios. Mais de uma dezena de polícias intervieram, entre os quais vários elementos da equipa de intervenção rápida da PSP, mas ninguém foi detido no local.

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