19/9/21
 
 
António Galamba 21/04/2016
António Galamba

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Afundadores

São afundadores os que, integrando o séquito do poder, num partido de matriz democrática, acham que podem destilar ameaças à liberdade de ação e de expressão de outros, com antevisões de travessias no deserto, com camelos e sem oásis

O Partido Socialista perfez 43 anos de existência política no ano dos 40 anos da Constituição da República Portuguesa. Parabéns aos Fundadores, mas o que nos preocupa de momento são mesmo os que se constituem em afundadores.

São afundadores os que acham que o exercício da militância partidária se perpetua e confina à mesma subserviência acrítica ou à negação que nos conduziu à chegada da Troika, sem pronuncia dos órgãos do partido, e à sua consequência de quatro anos de oposição em condições muito difíceis para os militantes, por razões políticas, e para os portugueses em geral, pela acutilância da austeridade aplicada.

São afundadores os que, integrando o séquito do poder, num partido de matriz democrática, acham que podem destilar ameaças à liberdade de ação e de expressão de outros, com antevisões de travessias no deserto, com camelos e sem oásis.

São afundadores os que adotaram a geometria variável como instrumento de alienação dos valores e dos princípios, os mesmos que descobriram agora que o que fizeram em Portugal, no Brasil é um golpe político inqualificável. Como sempre dissemos, em todas as latitudes, um golpe de Estado em Ditadura é desejável, mas em Democracia é inaceitável. Este é o momento em que alguns, discutirão o conceito de golpe, tal como acontece no lado de lá do Atlântico.

A história está pejada de exemplos em que este tipo de irracionalidade do seguidismo muda do dia para a noite. Foi assim com a fase final do Governo de António Guterres, agora felizmente resgatado como máximo denominador comum nacional na candidatura ao cargo de Secretário Geral das Nações Unidas. Numa semana era idolatrado, na semana seguinte os mesmos já o criticavam e idolatravam Ferro Rodrigues. É a vida, mas há limites para a volatilidade de carácter e das convicções.

Com mais décadas e tempo de vida do que o partido político em que milito e do que o tempo de implantação da Democracia, não nos peçam para participar alegremente num qualquer desastre coletivo, sem dizer o que pensamos, sublinhar as incoerências e criticar o delapidar do património do PS e de valores do socialismo democrático.

A hipocrisia da surdina, tão exercitada no passado, fica para outros. Aqui contam com a frontalidade da palavra, porque o que nos preocupa é o futuro e a sustentabilidade das opções.

É cívico reconhecer que, apesar dos esforços, a realidade dos números da economia são preocupantes, no território nacional e na relação com o exterior (Portugal com défice externo pelo quarto mês seguido).

É cívico sublinhar que é impossível encontrar um sentido de equilíbrio na governação quando quem apoia o governo no parlamento todos os dias procura marcar a agenda política do dia, apresenta propostas de aumento da despesa, direta ou indireta, e exercita a criatividade política em torno do magno debate sobre a designação do cartão oficial de identificação. A quadratura do círculo é um programa de televisão, nunca será um modelo de governação, porque o cobertor não estica. O facilitismo é o principal adversário da previsibilidade prometida: saber com o que podemos contar, agora e no futuro próximo, para evitar as políticas iô-iôs que mudam em função das circunstâncias ou dos políticos no poder.

É cívico denunciar a miserável incapacidade da Europa na resposta aos Refugiados ou a desconcertarão total entre a verbalização de rebates de consciência dos erros da dose de austeridade aplicada das instituições europeias e do FMI e a regurgitação de exigências de mais austeridade.

Os afundadores não gostarão de nada disto, os Democratas respeitarão a diferença de opinião. Afinal, para os afundadores, o acesso e o exercício do poder tudo justifica, do silêncio conformado às políticas sem sentido de justiça, de coesão social ou de coesão territorial, assim se mantenha o usufruto do poder.

Dos afundadores só rezará a história se forem eficazes no desastre parcial ou coletivo, por mim, não o serão. O País e os Portugueses são mais importantes.

Notas Finais                                         

À Deriva. Ser defensor da Escola Pública não é incompatível com a convicção de que o Estado não pode comporta-se como um malfeitor e voltar a ter com o Ensino Privado o mesmo comportamento que no passado teve com as ATL-Atividades de Tempos Livres a cargo de Associações e IPSS. Atrai para o jogo e de repente muda as regras. Investigadas as situações concretas locais concluirão que a responsabilidade da existência da oferta escolar privada é da omissão ou da ação dos decisores políticos, não dos privados.

Rombo no casco. Parece cada vez mais claro que os principais protagonistas políticos estão a falar demais e a concretizar de menos. Refugiados, BPI ou relação com as Instituições Europeias são apenas alguns exemplos.

No fundo do mar. O vislumbre da proximidade ao poder, tal como Ícaro testemunhou, pode ter destas coisas. Não lembra ao Diabo, para os crentes, que a Coordenadora do Bloco de Esquerda, Catarina Martins, verbere que “ o trabalho voluntário é uma treta”. É um insulto gratuito a milhares de mulheres e homens que nos bombeiros, no movimento associativo, nas instituições de solidariedade e de saúde e nos movimentos informais são voluntários e contribuem para uma sociedade melhor.

Membro da comissão política nacional do PS Escreve à quinta-feira


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