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DCIAP. Ex-assessor de Rockefeller decidiu abrir o jogo sobre relação de Rosalina com Duarte Lima

DCIAP. Ex-assessor de Rockefeller decidiu abrir o jogo sobre relação de Rosalina com Duarte Lima

José Sérgio Carlos Diogo Santos 15/04/2016 20:25

Higino Thomas Roiz é um nome pouco conhecido em Portugal, mas que tem ocupado um lugar central em processos que envolvem Duarte Lima. À investigação brasileira poupou detalhes sobre Rosalina que poderiam comprometer Duarte Lima, este ano ofereceu-se para abrir o jogo ao Departamento Central de Investigação e Ação Penal. O i revela tudo o que o gestor de fortunas holandês quis contar no processo em que Duarte Lima foi acusado por abuso de confiança e apropriação indevida de mais de cinco milhões da sua cliente Rosalina Ribeiro.

A acusação foi tornada pública durante o dia de hoje, mas ao que o i apurou já desde março que a procuradora do DCIAP Patrícia Barão considerava que o caso estava prestes a merecer despacho final.

O antigo conselheiro do banqueiro David Rockefeller, com quem Lúcio Thomé Feteira fez diversos negócios, apresentou-se no segundo dia de janeiro ao Departamento Central de Investigação e Ação Penal (DCIAP) de forma voluntária. O pedido inesperado de Higino Thomas Roiz era justificado pelo facto de ser amigo próximo e gestor de algumas contas de Rosalina Ribeiro, assassinada em 2009 a cem quilómetros do Rio de Janeiro. Em causa estavam contas no banco americano Chase Manattan.

Na apresentação que fez à procuradora responsável pelo caso, o holandês terá dito que a vítima sempre lhe transmitiu informações relevantes sobre a sua vida e a relação que tinha com os seus advogados portugueses, Duarte Lima e Valentim Rodrigues, e com os brasileiros, Clovis Sahione e Normando Marques. Este último entretanto falecido.

O que mais chamou a atenção da procuradora foi o facto de o ex-assessor de Rockfeller ter referido saber quanto é que Rosalina pagava a cada um dos seus advogados e o facto de ser conhecedor das contas que o milionário Lúcio Feteira tinha nos Estados Unidos, em Singapura e em Inglaterra.

A procuradora Patrícia Barão não hesitou: quatro dias depois mandou intimar o homem, questionando se tinha conhecimento das transferências efetuadas por Rosalina para Domingos Duarte Lima.

As contradições de Higino Roiz As informações que constam no processo do DCIAP - e a que o i teve acesso - contrastam porém com as informações que Higino passou em fevereiro de 2011 à polícia brasileira, no âmbito da investigação ao assassinato de Rosalina Ribeiro.

Segundo documentos consultados pelo i, o homem admitiu na altura conhecer Rosalina, mas disse que nos últimos 12 anos só tinha mantido “três ou quatro contactos”. Alegando ainda que tais encontros “eram essencialmente sociais, e não se relacionavam com nenhum tipo de prestação de serviços ou consultoria”.

Aos investigadores da Polícia Civil do Rio de Janeiro, o ex-assessor de David Rockefeller disse nunca ter trabalhado no banco UBS, mas sim no Chase Manhattan Bank, “que era propriedade do senhor David Rockefeller”.

No Brasil disse desconhecer Duarte Lima Uma das contradições mais evidentes foi o desconhecimento sobre Duarte Lima. Presente à Divisão de Homicídios, Roiz disse lembrar-se que há cerca de 13 anos “quando almoçava com dona Rosalina em Lisboa, ali chegou uma pessoa que [lhe] foi apresentada como sendo o advogado Duarte Lima”. Adiantou ainda que anteriormente não o conhecia o português e que depois disso só teriam estado uma vez.

Nas suas declarações nunca foram referidos os detalhes que agora decidiu contar ao DCIAP, bem pelo contrário. Disse que além dos raros contactos que mantivera com Rosalina nos anos que antecederam o seu assassinato, esta “nunca comentou [consigo] em quais bancos possuía contas bancárias” e que “não conhecia as suas amigas”.

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