20/6/19
 
 
Tiago Mota Saraiva 04/04/2016
Tiago Mota Saraiva

opiniao@newsplex.pt

Guerra civil em Lisboa

Começo por uma declaração de interesses: há cerca de dois anos que uso a bicicleta como transporte diário em Lisboa.

O aumento do preço dos transportes públicos ou a vontade de contrariar a sedentarização levam a que haja um número crescente de bicicletas a circular - fenómeno a que a cidade não tem sabido responder.

Não querendo desvalorizar os quilómetros de ciclovias construídos, estes têm sido projetados preferencialmente como circuitos de lazer e não de trabalho. Nos raros casos em que se encontram em eixos centrais, as ciclovias são afetas aos passeios, transformando-se inevitavelmente nos caminhos preferenciais de cidadãos com mobilidade reduzida em fuga à calçada.

Mas, se este problema de desenho tenderá a ser resolvido com o passar do tempo, há um problema cultural que urge resolver.

A maioria dos automobilistas não sabe conduzir em coexistência com o ciclista. É raro o automobilista que não se cola à bicicleta e até buzina quando o ciclista lhe condiciona a velocidade em vias de sentido único - ainda que em zona residencial ou de velocidade condicionada - ou que tem a perceção de que o ciclista tem uma largura de segurança maior que o espaço que ocupa, pois pode ter de se desviar de um buraco ou de um carril de elétrico que, para o carro, é indiferente.

Se é certo que a condução dos ciclistas não está isenta de erros, aquele erro coloca em causa a sua vida e, na pior das hipóteses, amolga a chapa do automóvel. Os riscos são desequilibrados; por isso, urge desequilibrar a lei. Tal como sucede em tantas cidades, é fulcral assumir a prioridade do ciclista sobre o automóvel nos eixos centrais e, como princípio para resolver conflitos, dar razão ao ciclista. É pela lei que se pode alterar a cultura de que o ciclista deve sair da estrada para deixar passar o automóvel.

Por fim, urge instruir a polícia de trânsito para que não sejam os primeiros agentes do território a fechar os olhos (ou a praticar!) à condução agressiva de veículos motorizados sobre velocípedes.

O problema das bicicletas em Lisboa não é de topografia, mas de segurança pública. Quantos mais ciclistas terão de morrer para que se possa abordar o tema?

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