25/05/2022
 
 
António João Maia 16/03/2016
António João Maia

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Ética, Conduta, Integridade e Integração e Coesão Social

Como já tivemos oportunidade de referir em reflexões anteriores, o homem é um animal gregário. É um animal (é o animal racional, como sempre ouvimos dizer desde os bancos da escola) que vive e se realiza em grupo. 

E, nessa medida, o grupo é um elemento central, determinante, que contextualiza toda a vida dos indivíduos que o constituem - a comunidade. E a comunidade, entendida como a rede de indivíduos, de grupos de indivíduos, agregados em torno dos mais diversos interesses, é composta desde logo pelas famílias – a família é a célula fundamental de qualquer sociedade humana -, pelos amigos, pelos colegas de trabalho, pelos vizinhos, pelos crentes de uma congregação religiosa, pelos associados, simpatizantes e adeptos de um clube, enfim por toda e qualquer forma mais ou menos simbólica e voluntária de agregação dos sujeitos. 

Todos fazemos parte e nos identificamos com algumas agregações de indivíduos – a minha família, os meus amigos, os meus colegas de trabalho, os meus vizinhos, os adeptos do meu clube. E estas relações traduzem, para cada sujeito – para cada eu –, sentimentos de pertença, de integração social, de fazer parte plena do grupo e da sociedade e de a viver.
Deste ponto de vista, enquanto indivíduos, podemos aceitar a ideia de estarmos todos condenados a ter de viver uns com os outros. E viver em comunidade – conviver – implica necessariamente partilhar. Partilhar objectos, partilhar ideias, partilhar interesses, partilhar referências culturais, partilhar códigos comunicacionais e afectos, enfim partilhar tudo.

Conviver é portanto um processo de partilhar e de saber partilhar. Viver em sociedade implica necessariamente alguma capacidade de cedência, alguma capacidade para aceitar o outro e a sua individualidade – a sua diferença. Só assim, neste enquadramento, com esta capacidade para cedermos um pouco de nós, dos nossos interesses particulares, podemos esperar que aqueles que nos rodeiam sejam igualmente capazes de ceder um pouco dos seus interesses particulares para nos aceitar tal como somos. Para que consigamos estar juntos e, assim juntos, sejamos e sintamos ser sempre mais do que o soma das partes, do que cada um individualmente.

Chegados a este ponto, os leitores mais resistentes poderão, com alguma razão, questionar, Ok, tudo bem! Estamos a perceber a ideia que se procura transmitir – Afinal viver em grupo é seguramente melhor do que uma vida isolada, que seria provavelmente algo desprovido de sentido. Uma seca… Mas qual a relação de tudo isto com o título da crónica? Com a Ética, a Conduta, a Integridade e a Integração Social?
Direi naturalmente que essa relação é total!

E é total porque, como estamos a procurar mostrar, a ideia de Integração Social, significa que, enquanto indivíduos, somos capazes de nos aceitar mutuamente, cedendo aqui e ali, é certo – a capacidade de ceder é uma espécie de custo do processo para cada sujeito –, mas permitindo encontrar e estabelecer pontos de partilha de ideias, de projectos, de símbolos, de segurança, enfim de tantas coisas ou mesmo de tudo.

E a Ética, a Conduta e a Integridade são dimensões de grande importância neste contexto. Referem-se todas, em patamares diferentes é certo, aos Valores partilhados e sustentados pelo grupo. Os Valores e a sua partilha – sejam eles quais forem – são determinantes para a manutenção da estabilidade e coesão de qualquer grupo de indivíduos. Sem valores estabelecidos e partilhados, em que todos acreditem e nos quais se revejam, provavelmente a ideia de grupo perde-se. Sem valores partilhados provavelmente deixaremos de ter – de ser – um grupo, uma sociedade. Passaremos a ser um conjunto de indivíduos, sem grandes afinidades e referências conjuntas. 

A Ética traduz esse conjunto coerente de valores, que funciona como uma espécie de bússola, de enquadramento, de cimento, que norteia e contextualiza a existência colectiva do grupo. 

Mas se ter um conjunto de Valores em que acreditamos é condição necessária, todavia ela não é suficiente. Não basta invocar os Valores. É necessário que eles sejam operacionalizados! É necessário que as acções dos sujeitos traduzam e mostrem esses Valores! É necessário que as Condutas dos sujeitos decorram desses Valores e sejam conformes com eles! Que os deixem transparecer. Mas mais, é necessário que a actuação dos sujeitos seja sempre, a todo o tempo, essa, ou seja que a sequência das acções da sua vida se revele Integra. Que essas acções sejam coerentes entre si, umas com as outras, e concordantes com os Valores.

Só com vivências Integras e coerentes com Valores socialmente assumidos e partilhados, podemos contribuir para a manutenção da Integração e Coesão Social!

Todas as acções que se afastem desta relação, como sejam por exemplo as práticas de fraude e corrupção, contém, para lá de toda a censurabilidade social que lhes está associada, o risco de gerar descrença, descrédito e, no limite, desagregação social

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