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Arbitragem. Um penálti, o árbitro e o pai dele

Arbitragem. Um penálti, o árbitro e o pai dele

Filipe Escobar de Lima 25/02/2016 12:09

Jorge Ferreira não apitou falta na área do Benfica e marcou uma na do Paços. O caldo entornou e até os Super Dragões fizeram uma visita ao restaurante do pai. É caso para tanto?

O que fazer nestes casos, em que o árbitro é acossado fora das quatro linhas e durante os dias que se seguem ao jogo? Foi esta pergunta que fizemos a Duarte Gomes e o ex-árbitro foi muito claro: “Só em raras exceções devem vir a público defender-se, mas este caso parece ser um deles. Senão isto vira uma palhaçada”.

O árbitro de futebol que apitou no sábado o Paços de Ferreira-Benfica disse ontem que estava “de consciência absolutamente tranquila” relativamente às arbitragens que efetuou “ao longo da sua carreira”. O comunicado foi divulgado pelo seu advogado, na sequência da polémica em torno da sua atuação no jogo ganho pelos benfiquistas por 1-3. Não foi o próprio porque há um impedimento regulamentar da FIFA que impede os árbitros de falarem sobre as incidências do jogo. “Não podemos vir justificar um penálti, um fora-de-jogo ou uma falta”, lembra-nos Gomes.

No comunicado lançado ontem pelo advogado é dito que o árbitro está a ponderar “recorrer à via judicial” para “defender a sua integridade física, a sua honra, a sua dignidade e a sua carreira profissional”.

“O silêncio não é uma opção dos árbitros”, diz-nos Duarte Gomes, que durante a sua carreira também foi árbitro internacional. “Mas quando é uma situação de exceção e extravasa o campo pessoal os árbitros deviam tomar uma atitude pública”, conta, lembrando que o silêncio da estrutura dos árbitros também faz parte da estratégia.

Para o advogado de Jorge Ferreira, as decisões do árbitro foram “sempre tomadas no ínfimo momento que possui para decidir” e de acordo com a análise que efetuou dos respetivos lances. Mas repudiou o “clima de crispação que se vive atualmente no futebol nacional”.

E sublinhou que Jorge Ferreira “não é nem nunca foi sócio fundador ou de outra qualidade da Casa do Benfica de Fafe” e que “não é nem e nem pode ser adepto de nenhum clube”. E deixou um recado: “É momento de calarem aqueles que usam os órgãos de comunicação social para nos brindarem com os vergonhosos espetáculos de insultos, de falsidades e de poucas vergonhas”.

Teve também uma referência ao comportamento das claques. Os Super Dragões, de apoio ao Porto, rejeitaram intenção de molestar o árbitro. “Como é mais do que evidente, Jorge Ferreira pode estar absolutamente tranquilo, pois jamais nos passou pela cabeça molestá-lo, bem como a sua família ou amigos”, refere a nota, publicada no Facebook, recordando que “o único árbitro da 1.ª categoria alguma vez agredido foi Pedro Proença no centro comercial Colombo.”

Precisamente Proença, atual presidente da Liga de Futebol, mostrou-se crítico com esta situação. “Há limites que têm que ser preservados e há linhas que não podem ser ultrapassadas, independentemente de sermos mais ou menos competentes. É preciso preservar os árbitros, os atletas, os treinadores e os dirigentes. O que passa fora do campo já não é futebol, é outra coisa qualquer”, disse, destacando o papel da Liga. “Aquilo que tem de fazer como pivot é fazer valer às pessoas que temos de ter tranquilidade e que há linhas que não podem ser ultrapassados, independentemente de sermos mais ou menos competentes”.

* A fotografia, originalmente de Bruno de Carvalho, foi subsituída por uma imagem de Jorge Ferreira. Na edição em papel, a legenda à foto do presidente do Sporting, que acompanha o artigo, explicava que Bruno de Carvalho aproveitou a ocasião para explicar que os árbitros precisam de "um líder que não foge".

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