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Pacquiao. Política, gays e animais, tudo no mesmo saco (de boxe)

Pacquiao. Política, gays e animais, tudo no mesmo saco (de boxe)

DR Hugo Alegre 17/02/2016 20:39

O pugilista filipino, candidato a um lugar no senado, comparou homossexuais a animais e foi obrigado a retratar-se publicamente.

Oito títulos mundiais em categorias distintas e um cartel de 57 vitórias (38 por KO), seis derrotas e dois empates dão-lhe um ar de durão, daqueles que chegam a intimidar sem terem de calçar as luvas de boxe. O que não chegou para o ‘Pacman’ das Filipinas bater Floyd Mayweather na milionária luta do século, disputada em maio de 2015, em Las Vegas. Depois disso, Manny Pacquiao teve de ser operado a um ombro e acabou por servir de saco de pancada a teorias de um possível resultado combinado. Desviou-se das críticas, anunciou que ia trocar os ringues pela política e quase que foi ao tapete com a polémica do momento.

“É senso comum. Já viu animais a acasalar com animais do mesmo sexo? Os animais são melhores, porque eles sabem distinguir masculino do feminino. Se nós aprovamos masculino com masculino, feminino com feminino, então o homem é pior do que os animais”, afirmou o pugilista em entrevista à televisão filipina TV5, durante a campanha para o Senado das Filipinas.

E não ficou por aqui. Se em 2010 tornou-se evangélico para espalhar a palavra de Jesus Cristo, desta vez recorreu à Bíblia para se defender das críticas, dizendo que prefere “obedecer aos desejos de Deus do que aos da carne”.

O comediante Vice Ganda, assumidamente homossexual, não se conteve e respondeu via Twitter: “Algumas pessoas acham que podem julgar as outras como Deus, só porque vão à missa e leem a Bíblia. O senado precisa de especialistas em política e lei, não de profetas cegos”.

Criada a hashtag viral #PrayForMannyPacquiao, Pacquiao não teve outro remédio senão voltar atrás nas suas declarações: “Sinto muito por magoar as pessoas comparando-as com animais. Por favor, desculpem os que se sentiram ofendidos. Eu continuo a ser contra o casamento homossexual por causa do que a Bíblia diz, mas não estou a condenar os LGBT. Eu amo a todos com o amor de Deus”, explicou nas redes sociais.

Com 20 anos de carreira, o pugilista está agora concentrado em virar as atenções para outra luta: a sua despedida dos ringues, a 9 de abril, em Las Vegas. O último adversário será Tim Bradley, que já derrotou por duas vezes (2012 e 2014). Afastado está um novo combate com Floyd Mayweather. O futuro passa pela candidatura a presidente das Filipinas.

Para já, chega-lhe conquistar um assento no senado, nas eleições de maio: “Vou sentir-me triste quando pendurar as luvas, mas não posso estar para sempre no ringue. Comecei no boxe para ajudar a minha família, agora quero ajudar o meu povo, o meu país”.

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