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Ana Sá Lopes 11/02/2016
Ana Sá Lopes
Política

ana.lopes@ionline.pt

Contra uma lei da eutanásia

Percebo perfeitamente os bons princípios que animam os defensores do manifesto por uma lei da eutanásia. Os signatários querem acabar com o sofrimento dos doentes terminais e consideram um “direito humano” que se possa, através da lei da morte assistida, travar esse sofrimento.

A lei está muito longe de se poder concretizar porque, apesar de o Bloco de Esquerda se preparar para avançar com um projeto, o PS, aparentemente, acha que a discussão se deve por enquanto fazer no seio da sociedade civil.

Há anos que penso sobre o assunto e não consigo ser a favor. É evidente que é chocante o sofrimento dos doentes em estado terminal – mas em todas as situações é possível definir exatamente o que é o “estado terminal”? O corpo humano é um mistério e podem existir milagres – não estou a falar dos catalogados pela Igreja Católica, à qual não pertenço.

E quem toma a decisão de pôr fim à vida? O médico que fica com a responsabilidade de decretar que não haverá saída daquela situação – mesmo que dois dias depois apareça no mercado um novo medicamento que permita manter a vida?

É claro que um doente terminal vive um sofrimento horroroso que se estende à sua família. Mas está o doente em situação de, em consciência, decidir que essa é a melhor solução para si próprio? Quem decide, mais uma vez?

Recentemente, a decisão dos médicos belgas que aprovaram o suicídio assistido de uma rapariga de 24 anos que sofria de depressão – e estava há três anos em tratamento psiquiátrico sem sentir melhoras – é uma situação bastante perturbadora. Os números de pedidos de eutanásia de jovens têm crescido brutalmente e, na Holanda, uma criança de 11 anos pode aceder ao suicídio assistido.
A morte, diz o povo, é o único problema para o qual não há remédio. Torná-la uma solução de problemas é perturbador e eticamente assustador. Não consigo defender a eutanásia.

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