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DiEM25. Varoufakis foi a Berlim elogiar Merkel. E atacar os “tecnocratas autoritários”

DiEM25. Varoufakis foi a Berlim elogiar Merkel. E atacar os “tecnocratas autoritários”

AP Nuno Escobar de Lima 10/02/2016 21:43

O ex-ministro das Finanças grego lidera um movimento que pretende democratizar a União Europeia até 2025

Não foi inocente a escolha do Teatro Volksbuehne de Berlim para Yanis Varoufakis lançar o novo partido pan-europeu de esquerda. Nem o próprio quis simular tal coisa: “Escolhemos Berlim precisamente porque nada pode mudar de uma forma progressiva sem a participação total da Alemanha”, assumiu o homem que durante pouco mais de cinco meses como ministro das Finanças da Grécia se tornou o porta-voz da oposição europeia à receita de austeridade germânica.

O Movimento Democracia na Europa 2025 (DiEM25) nasce com o objetivo de “democratizar” a União Europeia, bloco que Varoufakis vê governado por “tecnocratas autoritários” e a caminhar para a “desintegração, de forma rápida”. Como exemplo, o grego apresentou a crise dos refugiados, onde acabou por elogiar uma das pessoas que mais criticou durante a sua passagem pelo governo helénico: “o falhanço espetacular da EU na missão de lidar com a crise de refugiados de uma forma sensível, racional e humanista, com a possível exceção de Angela Merkel, que tem sido muito boa”.

Sem especificar se este movimento algum dia participará em eleições, Varoufakis diz que o fórum se propõe a debater novas ideias para a Europa e principalmente para as instituições europeias, com o 2025 a representar a data limite para a democratização da EU.

No manifesto do DiEM25 reivindica-se a transparência no processo de decisão da EU, propondo-se desde já a transmissão em direto a partir da internet de todas as reuniões do Conselho Europeu, Eurogrupo e Ecofin. Tudo subgrupos do aparelho europeu que encaixam na principal crítica de Varoufakis: “Há democracia na Europa porque existem parlamentos nacionais mas os órgãos que tomam as decisões importantes não têm de prestar contas. Ninguém pode derrubar o Eurogrupo”, lembrou o grego em entrevista à “Newsweek” publicada no mesmo dia do lançamento do partido.

O homem que chocou Bruxelas com o estilo de rock star diz que essa mudança permitiria avaliar se está em curso uma mudança de paradigma, com as instituições europeias a “procurarem políticas que genuinamente tentem combater a crise da dívida, o sistema bancário, o investimento inadequado, a pobreza crescente e as migrações”.

“Se há coisa que 2015 nos ensinou é que a Europa está em perigo e que o seu destino não pode ser deixado nas mãos de pessoas que têm liderado ineficazmente as suas enfermas instituições”, anunciava no facebook a convocatória para o lançamento do DiEM25, que já recebeu o apoio de algumas figuras mediáticas, embora sem o peso político que o grego desejaria.

A lista que aparece no site do DiEM25 é liderada por Julian Assange, o fundador da Wikileaks que desde 2012 reside na embaixada equatoriana em Londres como forma de evitar uma acusação de abuso sexual na Suécia.

Brian Eno, o famoso produtor de bandas como os U2, é outro exemplo de adesão mediática numa lista que conta com o incontornável James K. Galbraith, o economista que foi colega de Varoufakis na Universidade do Texas e que fez parte do grupo de trabalho formado pelo então ministro das Finanças para preparar a saída da Grécia da Zona Euro.

Na lista aparecem os nomes dos portugueses Boaventura Sousa Santos e Rui Tavares, sendo que a bloquista Marisa Matias também já foi ligada ao movimento, tendo até acompanhado Varoufakis num debate sobre o DiEM25 que se realizou na capital germânica na véspera do lançamento.

 

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