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Sérgio Azevedo. “Santana Lopes é o melhor candidato à Câmara”
Sérgio Azevedo é um dos vice-presidentes da bancada do PSD. Apoiante de Passos Coelho, critica quem fala na necessidade de recentramento do partido por achar que foi o PS e não o PSD quem fugiu do centro. Vê o CDS como único parceiro natural dos sociais-democratas e ataca os que gostariam de reeditar o bloco central.

Sérgio Azevedo. “Santana Lopes é o melhor candidato à Câmara”

Sérgio Azevedo é um dos vice-presidentes da bancada do PSD. Apoiante de Passos Coelho, critica quem fala na necessidade de recentramento do partido por achar que foi o PS e não o PSD quem fugiu do centro. Vê o CDS como único parceiro natural dos sociais-democratas e ataca os que gostariam de reeditar o bloco central. Miguel Silva Margarida Davim 06/02/2016 19:54

Líder do grupo do PSD na Assembleia Municipal de Lisboa acha que está na altura de o partido apresentar um candidato forte à câmara da capital e ataca Medina

Sérgio Azevedo faz parte de uma nova geração de sociais-democratas que começa a ganhar destaque. Vice-presidente da bancada do PSD no parlamento e líder da bancada social-democrata na Assembleia Municipal de Lisboa, acha que está na altura de o partido encontrar um candidato ganhador para a câmara da capital. A decisão caberá, ressalva, a Passos Coelho e está dependente da vontade do próprio, mas Azevedo acredita que a obra feita pode agora ser um trunfo para Santana.

Faz sentido esta reafirmação da social--democracia do PSD?

Temos ouvido muita gente falar do recentramento do PSD, mas eu tenho dificuldade em perceber o que isso quer dizer. Dizer que o PSD precisa de se recentrar e de ser mais social-democrata não me parece que seja correto. Mesmo sob um período de ajustamento, nós fomos sociais--democratas. Aumentámos as pensões mínimas, apoiámos setores importantes do nosso tecido empresarial, sobretudo na área da fiscalidade, para garantir que as empresas não só criassem mais emprego como mantivessem o emprego. Oitenta e quatro por cento dos pensionistas não foram alvo de cortes das pensões. Fizemos uma distribuição equitativa da carga fiscal. Choca-me dizerem que o PSD precisa de recentramento no sentido de dizer que deve ser social-democrata novamente.

O PSD nunca deixou de ser social--democrata?

O PSD nunca deixou de ser social-democrata. Foi social-democrata na medida das suas possibilidades nos últimos quatro anos.

Acha que essa é a imagem com que os portugueses ficaram de quatro anos de governo?

Eu acho que os portugueses ficaram com a imagem de um período muito difícil e acho que essa ideia do recentramento surge também muito de uma opinião publicada, muito de ex-dirigentes do PSD que utilizam essa arma de arremesso para criticar a governação do PSD. Mas só podem fazê-lo por três motivos: ou por alheamento do que se passou em Portugal, ou por distração, ou por efetiva má-fé. O PSD - e o CDS está incluído, porque foi um governo de coligação - nunca deixou de ser social-democrata. Se virmos a forma como o PS chegou ao poder, com acordos que o deixam, em algumas situações, até refém do BE e do PCP, quem é que precisa de ser recentrado? É o PSD ou o PS?

Se não há necessidade de recentrar o discurso nem de contestar o líder, este congresso do PSD pode servir para quê?

Servirá sobretudo para mostrarmos aos portugueses que o PSD é um partido responsável e que não abdicou do seu projeto de poder, de governação e de transformação de Portugal. Eu interpreto as palavras do líder quando diz “social-democracia sempre” como querendo dizer que o PSD não abdicou da sua linha histórica e da sua linha programática de base.

O que pode Assunção Cristas trazer ao CDS que mude a relação com o PSD?

As lideranças trazem sempre novas perspetivas e novas abordagens. Eu não vejo nada a liderança de Assunção Cristas como uma continuidade da liderança de Paulo Portas. Certamente reconhecerá a Portas a herança histórica e o valor que ele trouxe ao CDS-PP, mas é um partido que tem margem de crescimento porque a sua candidata é uma pessoa que é acarinhada, é uma figura querida do centro-direita. Mas acho que o CDS nunca deixará de ser o parceiro preferencial do PSD, nem pode deixar de ser. São partidos distintos, mas são partidos que, de uma certa maneira, se complementam.

E condenados a entenderem-se para serem governo?

O panorama político atual leva-nos a crer que sim, a não ser que haja uma maioria parlamentar atribuída ao PSD.

O que parece difícil?

Não sei se é difícil. Se as eleições fossem hoje, talvez o resultado fosse o mesmo. Talvez ganhássemos outra vez as eleições e não tivéssemos a maioria. Não sei. Mas que é difícil haver maiorias absolutas historicamente, isso é um facto.

Não há o risco de o CDS crescer à custa do PSD?

Não sei se o CDS cresce à custa do PSD, se o PSD cresce à custa do CDS. Todos os partidos crescem à custa uns dos outros. Porque a identificação, hoje, começa a ser cada vez mais com pessoas, com políticas e com visões, e menos com siglas partidárias. Vejo muito eleitorado que não tem problemas em votar no PSD para umas eleições nacionais mas, se for necessário, votará no BE para umas eleições municipais. Eu acho que foi muito isso que trouxe a Passos Coelho e a Paulo Portas uma vitória nas últimas eleições. Foi o reconhecimento pelos eleitores de que Passos é uma pessoa séria, que cumpriu uma missão em nome do interesse nacional. Por muitos sacrifícios que as pessoas tenham passado, e que ainda estão a passar, esse reconhecimento veio ao de cima nas últimas eleições.

Este congresso vai servir para rejuvenescer a estrutura, para pôr uma geração mais nova em lugares de destaque?

Se olharmos para a estrutura funcional do PSD, das concelhias às distritais, até para o grupo parlamentar e a sua direção, podemos observar que existem muitos dirigentes mais novos, novas figuras e novos protagonistas a surgir. Na vida e na política, a imposição por decreto de gerações mais novas a gerações mais velhas nunca dá bom resultado. Até porque o PSD é um partido, além de plural, interclassista. É um partido que precisa da experiência dos mais velhos e há muito eleitorado do PSD que se revê em dirigentes mais velhos, históricos. O PSD não precisa de rejuvenescimento. É um processo natural. Precisará de alguma renovação, mas isso faz parte da liderança e dos seus objetivos. A dicotomia não deve ser a de novos contra velhos, deve ser entre responsabilidade e irresponsabilidade. O que me faz confusão é existir uma nova geração de militantes e dirigentes do PSD - não querendo pessoalizar - que põe a hipótese de entendimentos com uma geração do PS que tem como mote estar-se marimbando para os compromissos.

Está a falar de quem?

Estou a falar de todos os que acham que deve ser colocada a hipótese de entendimentos com o PS, táticos e de manutenção de determinado statu quo, com compromissos que não sejam absolutamente essenciais para o desenvolvimento dos portugueses.

Há uma nova geração a defender um centrão?

Temos ouvido declarações públicas de recentramento do PSD. Acho que nós, precisamente como geração mais nova, temos a obrigação de transmitir que o futuro do nosso país é muito mais importante do que qualquer acordo tático ou político. É evidente que as reformas estruturais implicam um grande consenso político-partidário. Aí, estamos de acordo. Acordos do centrão só fazem sentido se melhorarem alguma coisa na vida das pessoas.

Quer pessoalizar o que está a dizer?

Não quero pessoalizar. Quero dizer que discordo da doutrina de quem entende que deve haver abertura para um entendimento com o PS, quando a matriz identitária deste PS, constituído sobretudo por pessoas de gerações semelhantes, é uma matriz que tem como máxima marimbar-se para os compromissos.

É líder da bancada do PSD na Assembleia Municipal. Como foi fazer oposição a Costa na câmara?

Não é fácil fazer oposição a António Costa. Sobretudo num ambiente em que ele era absolutamente centralizador não só da informação como da própria atividade da câmara. O dr. António Costa tinha, de resto, uma maioria na vereação e na Assembleia Municipal, o que só por si reduz um pouco a importância da atividade da oposição no que diz respeito a propostas concretas, porque se exerce sempre a força dessas maiorias. Isso deveria ter trazido também mais responsabilidade a António Costa, que não trouxe. Mas ele sempre foi - e é assim que eu o interpreto - um grande tático e um tipo que consegue, com o seu taticismo, levar por diante as suas vontades. Não tem acontecido isso no governo, onde ele está com mais dificuldades, porque as realidades são diferentes. Mas na Câmara Municipal conseguia.

Havia maneira de o PSD ter sido mais eficaz na oposição a Costa na câmara?

Depende da altura em que estamos a falar. Nos últimos anos, julgo que o PSD tem tido uma atitude na Assembleia Municipal de alerta e de identificação de um conjunto de problemas importantes para a cidade. E temos feito um conjunto de propostas, também importantes para a cidade, que têm sido liminarmente rejeitadas por parte do executivo municipal. Até mais rejeitadas, por incrível que pareça, pelo atual presidente do que por António Costa.

Pode dar um exemplo?

Dou-lhe um exemplo claro. Nós, para o orçamento municipal, apresentámos a introdução do coeficiente familiar no IMI e a recomendação foi chumbada pelo PS e, depois, apresentada pelo PS no Orçamento. Foi uma meia vitória para nós. Utilizaram esse esquema para que a medida fosse interpretada como sendo deles. Propusemos a redução do IRS para as famílias. Propusemos o fim da taxa municipal de proteção civil, que não é taxa nenhuma, é, sim, um imposto ou, quando muito, uma contribuição especial. Alertámos para atentados urbanísticos que estão a ser feitos na cidade, para os problemas da mobilidade e para pequenos problemas dos quais, de facto, a câmara tem estado alheada, como o dos buracos, o do lixo, o das cheias em Lisboa e o do fraco investimento em matérias que são cruciais para o dia a dia dos lisboetas.

A Câmara de Lisboa continua a ser um palco-chave para a política nacional?

A Câmara de Lisboa é um palco-chave para a política nacional. É a câmara da capital do país e tem sido, infelizmente, tradicionalmente o sítio onde maior oposição tem sido feita aos governos da República. E digo “infelizmente” porque há muito tempo que não temos um presidente da câmara que queira apenas ser presidente da câmara. E, pelos vistos, continuamos a não ter.

Acha que Fernando Medina não quer apenas ser presidente da Câmara de Lisboa?

Eu acho que não. Em primeiro lugar, Fernando Medina tem dois grandes problemas: não conhece a cidade e não gosta de Lisboa. Não sabe o que é ser lisboeta e viver em Lisboa. E, portanto, ele tem dificuldade em identificar - apesar de ser uma pessoa a quem reconheço algumas virtudes, e isto não é uma questão pessoal, é uma questão política - as virtudes da nossa cidade e tirar partido dessas virtudes. E tem uma grande dificuldade em resolver e identificar as fragilidades da nossa cidade.

Porque é portuense?

Eu não sei se é porque é portuense ou não. Eu não tenho muito esse bairrismo. Mas o que é facto é que, para se ser um bom autarca em Lisboa, é preciso conhecer e gostar de Lisboa. E se reparar no planeamento urbanístico da cidade para os próximos tempos, é sinal de quem não conhece Lisboa. Vamos ter em simultâneo as obras da Segunda Circular, as obras do eixo central da cidade, as obras das zonas ocidental e oriental da cidade que fazem a ligação Cais do Sodré-Santa Apolónia, com a construção de um parque de estacionamento no Campo das Cebolas, a Ribeira das Naus, a construção do terminal de cruzeiros, que vai avançar... A pressão que vai ser criada em toda a cidade denota uma falta de planeamento gritante.

E denota que estamos perto das autárquicas de 2017?

Denota, infelizmente, que continuamos a fazer política na nossa cidade de acordo com os períodos eleitorais. Estas obras, em que o presidente da câmara tem grande fé mas que vão atrapalhar a vida dos lisboetas e custar caro aos cofres da autarquia, só têm um objetivo, que são as eleições de 2017. Aliás, elas terminam no verão de 2017, à beira das eleições autárquicas.

Está na altura de o PSD definir um candidato forte para a Câmara de Lisboa?

O PSD tem de ser claro na definição dos objetivos que tem para a Câmara Municipal de Lisboa. Tem de ser claro naquilo que quer e no perfil que quer.

Que perfil deve ser esse?

Tem de ser um candidato que goste da cidade, que conheça a cidade, que defina bem os objetivos que pretende para a cidade, que queira trazer mais jovens para a cidade e combater o envelhecimento, que é gritante, que queira apostar muito na reabilitação urbana. Lisboa tem perdido para os municípios de Cascais e de Oeiras investimento económico como nunca visto. Lisboa vive, hoje, sobretudo à custa do turismo, mas a criação de postos de trabalho permanentes e a criação de atividade económica têm fugido muito para os concelhos limítrofes. Lisboa não tem uma atratividade fiscal importante para as empresas.

Esse candidato pode ser Pedro Santana Lopes?

A história tem-nos dito que essa escolha é uma prerrogativa do presidente do PSD. O candidato à Câmara de Lisboa não é escolhido nem pelas estruturas concelhias nem pelas distritais. É uma aposta do presidente do partido. O presidente do partido tem de definir bem o perfil. E, dentro desse perfil, existem pessoas que são capazes de devolver a esperança aos lisboetas e fazer com que se viva melhor em Lisboa.

Mas em termos pessoais, qual é a sua opinião sobre quem deveria ser o candidato?

Eu julgo que é indiscutível que Pedro Santana Lopes se encaixa nesse perfil. Mas ser candidato a uma câmara depende muito da vontade do próprio. E eu não sei se ele tem essa vontade.

Está a ver outros nomes com perfil?

Mais importante do que pensar em nomes é pensar nos objetivos que o PSD tem para a cidade. Não sabendo de antemão qual é o perfil que a direção nacional do partido entende que deve ter o candidato à câmara, apenas posso dar o meu contributo e a minha visão. Poderão existir algumas pessoas que poderão fazer esse combate.

E Santana Lopes será o candidato mais forte?

É uma pessoa que, até pelo trabalho que tem feito, conhece bem a cidade e se enquadra nesse perfil.

Quando deve ser feita essa discussão no PSD?

O partido deve ponderar o dossiê Lisboa depois das eleições para a liderança.

A seguir ao congresso?

Não diria imediatamente a seguir. Mas deve ponderar com tempo essa matéria e a necessidade de reconquistarmos Lisboa.

Acha que pode ser útil o candidato ter tempo para fazer um percurso até às autárquicas ou aparecer mais em cima do momento das eleições?

Depende do candidato. Se for um candidato com notoriedade, em que as pessoas vejam interesse pela cidade, como Pedro Santana Lopes, como Carlos Barbosa, como outras pessoas que têm defendido a cidade, são pessoas com um caminho. E, portanto, precisam elas próprias é de refletir e de querer. Se a estratégia for outra, quanto mais cedo, melhor. Se for um candidato menos previsível, porque um candidato à Câmara de Lisboa não pode ser um desconhecido pela natureza do eleitorado lisboeta, quanto mais cedo, melhor.

Ganhar Lisboa trará alguma vantagem em termos nacionais para o PSD?

O PSD tem um legado muito importante em Lisboa que foi, infelizmente, reconhecido depois do tempo. E eu julgo que a Câmara de Lisboa, pela sua natureza, é sempre uma aposta de um partido vencedor como o PSD.

Acha que o trabalho de Santana Lopes só foi reconhecido tardiamente?

Esse é, claramente, o exemplo do reconhecimento posterior ao exercício do mandato.

Pedro Santana Lopes não foi compreendido?

O túnel do Marquês é o exemplo disso. Veja o que se disse do túnel do Marquês, as alarvidades que se disseram, o custo que isso trouxe aos contribuintes, nomeadamente com as providências cautelares de alguém, que é hoje um vereador do município, interpôs. E hoje alguém fala mal do túnel do Marquês e da facilidade de escoamento rodoviário que trouxe à cidade? Ninguém. Mas toda a gente fala mal das alterações da rotunda do Marquês, das alterações ao fluxo de trânsito na Avenida da Liberdade, toda a gente critica a falta de estacionamento, toda a gente critica as obras na Segunda Circular, toda a gente critica a supressão de estacionamento na praça do Saldanha. É essa a grande diferença entre quem, de facto, sabia o que estava a fazer e quem não percebe nada daquilo que está a fazer. E, nesse sentido, julgo que Santana Lopes foi compreendido tarde no município.

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