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Aviação. Low cost atacam em força rotas suspensas pela TAP

Aviação. Low cost atacam em força rotas suspensas pela TAP

Shutterstock Sofia Martins Santos 02/02/2016 09:57

Apoios públicos às companhias de baixo custo geram discórdia no setor, devido ao risco de distorção da concorrência.

A TAP anunciou que vai suspender a partir de março nove ligações aéreas de Portugal à Europa. E, desde logo, apareceram companhias low cost a reforçar as rotas para alguns destes destinos. A Blue Air e a Wizz Air anunciaram um reforço das ligações a Lisboa de Budapeste e Bucareste. No Porto, a Ryanair sairá beneficiada com o fim de algumas ligações. No entanto, no setor há quem questione o crescimento destas companhias de baixo custo com base em subsídios públicos e privados.

A TAP anunciou a suspensão das viagens entre o Porto e Milão, Bruxelas, Barcelona e Roma, por serem rotas deficitárias. A decisão não foi vista com bons olhos pela Associação Comercial do Porto (ACP), que considerou lamentável o fim das rotas. Uma posição que contou com o apoio de Rui Moreira, presidente da Câmara Municipal do Porto, que acusou a TAP de estar a preparar-se “para abandonar o Porto”. 

No entanto, para as low cost este fecho de rotas é mais uma oportunidade de negócio e, como estas companhias recebem apoios públicos, tem surgido contestação.

 O PCP questionou o governo sobre os subsídios pagos a estas empresas nos últimos anos e quais os impactos económicos dos apoios. Paulo Sá, deputado do PCP, lembra o que aconteceu no Algarve. “Há uns anos foram dados apoios às low cost, nomeadamente à Ryanair. A ideia era trazerem passageiros novos. Trouxeram um milhão e 900 mil passageiros. O problema é que apenas 200 mil eram novos. O resto roubaram às outras companhias”, explica ao i, acrescentando que companhias como a TAP acabaram por fechar algumas rotas para o Algarve, o que criou um novo problema: “Antes havia rotas o ano todo, agora não há rotas no inverno, o que trouxe um problema grave à economia do Algarve”.

Ao i, o Ministério da Economia confirmou a receção das questões colocadas pelo PCP sobre estes apoios públicos e garantiu estar a acompanhar o caso.

Ryanair e os subsídios Uma das questões que se levanta, no Porto, é o facto de, além dos apoios públicos, existir quem garanta que as ‘low cost’ gozam ainda de taxas mais baixas nos aeroportos. O i tentou, sem sucesso, obter uma reação da ANA aeroportos, mas não obteve resposta até ao fecho da edição.

No setor teme-se que estas ajudas distorçam a concorrência – uma questão que não é de hoje. Há anos que se fala a nível mundial do facto de a Ryanair gozar de subsídios em vários aeroportos. Vários jornais franceses denunciavam verbas que variavam entre 35 milhões de euros (só em França) e 660 milhões de euros em toda a União Europeia. A Lufthansa e Air France alegaram que a Ryanair era beneficiada em muitos aeroportos regionais da Europa.

No caso português, em 2011, as companhias de aviação receberam um incentivo de 9,4 milhões de euros ao abrigo do programa Iniciativa.pt, que apoiava novas rotas para Portugal. De acordo com uma listagem cedida pelo Turismo de Portugal, nesta altura, as maiores beneficiárias foram as companhias de baixo custo, nomeadamente a irlandesa Ryanair. Esta low cost distanciava-se muito, aliás, dos seus concorrentes, ao ter reunido benefícios para um total de 18 rotas. A TAP também foi abrangida por este programa, na altura com apenas três rotas.

O i tentou, sem sucesso, contactar a Ryanair até ao fecho desta edição.

A corrida das low cost Na semana passada, a companhia aérea romena Blue Air foi a primeira a ver com bons olhos a intenção da TAP em suspender a ligação a Bucareste. Esta companhia começa, já a partir de junho, a voar três vezes por semana entre Lisboa e a capital da Roménia. Também a Wizz Air, da Hungria, anunciou quatro voos para Budapeste. De acordo com esta low cost vai ser possível fazer esta viagem a partir de 39 euros.

A expansão das companhias de baixo custo é vista com bons olhos por alguns operadores, nomeadamente pela Associação Portuguesa de Hotelaria, Restauração e Turismo, que na altura do anúncio das rotas da TAP fez saber que não achava a decisão problemática para o Porto.

Em comunicado, esta associação fez saber que “não partilha do discurso pessimista que tem vindo a ser adoptado pela opinião pública em geral face ao recente anúncio feito pela TAP relativamente ao cancelamento daquilo a que a companhia classificou como rotas deficitárias”, acrescentando que existirão sempre alternativas: “A região e o turismo do Porto e Norte não estão reféns nem totalmente dependentes da atividade da TAP, pelo que esse cenário deverá ser encarado como uma oportunidade e um desafio para que outras companhias aéreas se expandam ainda mais”.

Uma posição muito diferente da que outros agentes económicos têm um pouco por toda a região. Setores como os têxteis e o calçado não pouparam nas críticas ao cancelamento de rotas da TAP a partir da cidade do Porto. Nuno Botelho, presidente da Associação Comercial do Porto, considera “altamente prejudicial para as empresas e para a economia do norte” a decisão anunciada pela TAP. “No Porto, as companhias de bandeira, que ajudam ao crescimento económico e turístico desta região são companhias como a Ryanair ou a EasyJet”, denunciou.

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