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Marcelo é Presidente. A surpresa foi a tragédia que atingiu Maria de Belém
Marcelo venceu com 52% dos votos

Marcelo é Presidente. A surpresa foi a tragédia que atingiu Maria de Belém

Marcelo venceu com 52% dos votos João Girão Luís Claro 25/01/2016 08:14

Marcelo eleito com mais votos do que Cavaco. Maria de Belém e Edgar Silva são os grandes derrotados da noite

Marcelo Rebelo de Sousa toma posse como Presidente da República no dia 9 de Março, depois de ter vencido à primeira volta. O ex-comentador foi o grande vencedor de uma noite em que a esquerda saiu derrotada, mas houve uns mais derrotados do que outros. Maria de Belém foi a grande perdedora da noite juntamente com o candidato comunista Edgar Silva, que teve o pior resultado do PCP em presidenciais. Marisa Matias tem razões para festejar: ficou em terceiro lugar e conseguiu o melhor resultado de sempre para os bloquistas. Sampaio da Nóvoa perdeu, mas foi para casa com um milhão de votos.

Foi com uma campanha nunca vista que Marcelo chegou a Belém. Sem cartazes, sem comissão de honra, sem líderes partidários e com pouco dinheiro, o ex-comentador conseguiu evitar uma segunda volta e chegou a Belém com um resultado melhor do que Cavaco Silva em 2006. Contas feitas, Marcelo venceu com 52% dos votos, enquanto, na primeira eleição, Cavaco chegou a Belém com 50,4%.

A grande derrotada

A vitória de Marcelo à primeira volta foi uma derrota para toda a esquerda, mas quem mais foi penalizada foi a socialista Maria de Belém. A ex-ministra da Saúde chegou a alimentar a expectativa de passar à segunda volta. O resultado final revelou-se, porém, uma tragédia, perante as expectativas da candidatura que surgiu do descontentamento de alguns setores do PS com Sampaio da Nóvoa.

Com pouco mais de 4%, a ex-presidente do PS ficou atrás da candidata bloquista Marisa Matias e, pior do que isso, quase com os mesmos votos de Vitorino Silva, conhecido como Tino de Rans. Um resultado trágico que ninguém esperava, apesar do envolvimento da candidata na polémica sobre as subvenções vitalícias na fase final da campanha. O candidato comunista foi outro dos derrotados da noite eleitoral. Com cerca de 3,9%, Edgar Silva teve o pior resultado de sempre do PCP. O pior pertencia, até hoje, a António Abreu, como 5,1%, em 2001. O PCP já teve, porém, resultados bem mais favoráveis: quase 13% com Carlos Carvalhas, em 1991, 8,6% com Jerónimo de Sousa, em 2006, e 7,1% com Francisco Lopes, em 2011.

O BE, pelo contrário, foi a única força de esquerda com razões para festejar. Marisa Matias conseguiu manter o sucesso eleitoral do BE nas legislativas e quase dobrou o melhor resultado que o partido tinha tido até agora. A eurodeputada ultrapassou os 10% dos votos, enquanto Francisco Louçã, em 2006, obteve 5,3% e Fernando Rosas, em 2001, conseguiu apenas 3%.

Sampaio da Nóvoa ficou em segundo lugar, mas não conseguiu o grande objetivo de passar à segunda volta. O ex-reitor levou para casa mais de um milhão de votos e uma espécie de prémio de consolação por ter sido de longe o candidato de esquerda mais votado.

O PS não apoiou oficialmente nenhum dos candidatos e deu liberdade de voto aos militantes para optarem entre Nóvoa e Maria de Belém. Curiosamente, os dois candidatos juntos não somam mais do que 27% dos votos, enquanto o PS nas legislativas obteve mais de 32%.

Tino surpreende

Mas não ficam por aqui as surpresas destas eleições. Vitorino Silva, conhecido como o Tino de Rans, teve um dos mais espetaculares resultados da noite eleitoral com 3,2% e mais de 150 mil votos. Vitorino Silva, que ficou conhecido depois de uma intervenção num congresso do PS nos tempos de António Guterres e da participação no programa Big Brother, venceu na sua terra natal com mais de 60%.

Paulo Morais, que surgiu nesta eleição praticamente só com a bandeira do combate à corrupção, ultrapassou os 2% e quase 100 mil votos. Com menos votos, o empresário Henrique Neto obteve cerca de 0,8 e menos de 15 mil votos, Jorge Sequeira 0,3 e pouco mais de 13 mil votos e Cândido Ferreira 0,2% e cerca de 10 mil votos.

Abstenção elevada

Mais de metade dos portugueses não foram votar. Estas foram as eleições em que o Presidente é eleito pela primeira vez com a maior abstenção de sempre. Em 2006, a abstenção foi de 38,4%, em 1996 33,7% e em 1986 de 15,6%. Nas eleições deste domingo mais de 51% dos portugueses não votaram. A abstenção tem sido, em regra, maior nas reeleições. Em 2011, quando Cavaco Silva foi reeleito, foi de 53,4% - a eleição em menos participada de sempre -, em 2001, quando Jorge Sampaio foi reeleito, foi de 50,2% e em 1991, ano em que Mário Soares foi reeleito com mais de 70%, a abstenção foi de quase 38%.

luís.claro@ionline.pt

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