28/9/21
 
 
Tiago Mota Saraiva 18/01/2016
Tiago Mota Saraiva

opiniao@newsplex.pt

A importância de ser Aravena

O chileno Alejandro Aravena foi o vencedor do Prémio Pritzker, o mais importante prémio de arquitetura. Muito se escreveu e escreverá sobre a obra da Elemental – o escritório pelo qual dá a cara. Por isso, nas linhas que se seguem, interessa-me pensar sobre o que se premiou.

Elemental/Aravena é o rosto mais visível da emergência de novas estruturas de arquitetura ibero-americanas, menos centradas em práticas autorais e mais em processos participativos, coletivos ou colaborativos. Se é certo que estas práticas não são todas iguais, elas partilham afinidades, não se escondendo ou reduzindo às condições financeiras para quem (ou com quem) são projetadas.

Depois de o mainstream da arquitetura mundial se ter emparedado na disputa entre o edifício mais alto e o mais caro, respirando na dependência do poder financeiro e sobre a égide de uma falsa neutralidade política, há uma resposta que deve ser mais do que um reposicionamento do papel do arquiteto: a redescoberta da consciência de classe, da obra produzida às relações de trabalho.

Não sendo este prémio uma surpresa, ele também não deverá ser dissociado da progressiva disputa do espaço mediático. A este nível, a rede de plataformas online Archdaily, Archdaily Brasil e Plataforma Arquitectura, também produzidas a partir da América do Sul, tem tido um papel determinante divulgando práticas divergentes sobre a mesma base.

Se é certo que este tipo de práticas têm vindo a ser mundialmente reconhecidas, em Portugal persiste-se em tratá--las como declinações menores, acantonando-as ao baixo custo ou à efemeridade. Nos centros de poder comenta-se que não são arquitetura ou que são perigosos desvios de uma arte maior feita a partir do risco iluminado do arquiteto.

Como afirmou Aravena no lançamento da Bienal de Veneza de que será curador, ainda “há várias batalhas que precisam de ser vencidas e várias fronteiras que precisam de ser expandidas. (…) Qualquer tentativa de ir além do negócio habitual encontra enormes resistências na inércia da realidade (...)”.

Escreve à segunda-feira


×

Pesquise no i

×